veja previsão de valor e o que muda no INSS e no BPC · Economia Real
O salário mínimo de 2027 deve ser de R$ 1.741, segundo a proposta de Orçamento que o governo federal enviou ao Congresso Nacional em 31 de agosto. O valor representa um aumento de R$ 120, ou 7,4%, sobre o piso atual, de R$ 1.621. A quantia, porém, ainda é uma estimativa e pode mudar até o fim do ano.
O número definitivo depende do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a variação do custo de vida para famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos, acumulado em 12 meses até novembro. O IBGE divulga esse resultado no início de dezembro, e o governo deve mandar ao Congresso uma mensagem com o valor atualizado.
A política de valorização do mínimo soma duas partes: a reposição da inflação pelo INPC e um ganho real igual ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes. Para 2027, a referência é o PIB de 2025, que cresceu 2,3%. Esse será o aumento acima da inflação. Desde a Lei 15.077, de 2024, esse ganho fica limitado a 2,5%, regra que acompanha o arcabouço fiscal.
Na proposta orçamentária, o governo projetou INPC de 4,93%. A conta funciona assim: R$ 1.621 corrigidos por essa inflação chegam a cerca de R$ 1.701. Com o ganho real de 2,3%, o resultado é de R$ 1.740,04, arredondado para R$ 1.741.
Em abril, quando apresentou o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), o governo previa um piso de R$ 1.717. Na época, a estimativa para o INPC era menor, de 3,06%.
Como está o INPC
Por enquanto, o INPC roda abaixo da previsão oficial. O índice acumulou 4,29% nos 12 meses encerrados em setembro, segundo o IBGE. Em agosto, a taxa estava em 3,98%. O resultado de outubro será divulgado pelo IBGE em 12 de novembro, e o de novembro sai em dezembro.
O Economia Real simulou o valor do mínimo com diferentes resultados para o INPC, mantendo o ganho real de 2,3%:
- INPC de 4,29% (o mesmo nível de setembro): cerca de R$ 1.730
- INPC de 4,50%: cerca de R$ 1.733
- INPC de 4,93% (previsão do governo): R$ 1.741
- INPC de 5,20%: cerca de R$ 1.745
O valor oficial só é definido por decreto presidencial, normalmente publicado no fim de dezembro.
O que muda nos benefícios
Seis pagamentos e contribuições acompanham o salário mínimo. Os valores abaixo consideram a previsão de R$ 1.741:
- Aposentadorias, pensões e auxílios do INSS de um salário mínimo: sobem de R$ 1.621 para R$ 1.741. Com o 13º, o ganho total no ano chega a R$ 1.560.
- Benefício de Prestação Continuada (BPC/Loas): pago a idosos a partir de 65 anos e a pessoas com deficiência de baixa renda, também passa a R$ 1.741.
- Seguro-desemprego: a parcela mínima não pode ser menor que o piso, ou seja, R$ 1.741. O teto do benefício é corrigido pelo INPC.
- Abono salarial (PIS/Pasep): quem trabalhou os 12 meses do ano-base recebe até R$ 1.741. Cada mês trabalhado equivale a cerca de R$ 145.
- MEI: a contribuição ao INSS, de 5% do mínimo, passa de R$ 81,05 para R$ 87,05 por mês, além de R$ 1 de ICMS ou R$ 5 de ISS, conforme a atividade.
- Contribuintes individuais e facultativos: quem paga 11% do piso no plano simplificado passa a recolher R$ 191,51. Na alíquota de 5%, para segurados de baixa renda, a guia fica em R$ 87,05.
Aposentados que ganham acima do mínimo seguem outra regra. O reajuste deles considera apenas o INPC acumulado de janeiro a dezembro de 2026, sem ganho real. Um benefício de R$ 3.000, por exemplo, iria para R$ 3.135 com inflação de 4,5%. O teto do INSS também é corrigido por esse índice.
O Bolsa Família, que teve o valor reajustado em setembro de 2026, não tem um novo aumento previsto no Orçamento de 2027.
Impacto nas contas públicas
Cada R$ 1 a mais no salário mínimo aumenta as despesas do governo central em R$ 413,2 milhões em 2027, segundo o Relatório de Riscos Fiscais da União, divulgado pelo Tesouro Nacional na terça-feira (3). Como a arrecadação previdenciária cresce R$ 8,2 milhões, o impacto líquido fica em R$ 405 milhões.
A maior parte do gasto extra vai para a Previdência, com R$ 308,4 milhões. O BPC soma R$ 74 milhões, o abono salarial, R$ 20 milhões, e o seguro-desemprego, R$ 10,2 milhões.
A inflação pesa ainda mais. Cada 0,1 ponto percentual a mais no INPC eleva as despesas em R$ 1,35 bilhão, porque o índice corrige também os benefícios acima do piso. Descontado o ganho de arrecadação, a perda líquida para o resultado do governo é de R$ 1,34 bilhão.
Pelas contas do relatório, se o mínimo ficar em R$ 1.730, e não em R$ 1.741, o efeito do piso sobre as despesas cairia cerca de R$ 4,5 bilhões. Segundo o Tesouro, 51,9% das despesas primárias de 2025 cresceram por influência direta da inflação e do salário mínimo.
No projeto do Orçamento de 2027, os benefícios da Previdência somam R$ 1,169 trilhão. O BPC tem R$ 145,1 bilhões reservados, e o abono e o seguro-desemprego, R$ 104,7 bilhões, de acordo com a Agência Câmara.
Quando começa o novo salário mínimo?
O reajuste deve entrar em vigor em 1º de janeiro de 2027. Para quem tem carteira assinada, o salário de janeiro, já com o novo valor, é pago até o quinto dia útil de fevereiro. Aposentados e pensionistas do INSS que ganham o piso costumam receber o benefício corrigido a partir do fim de janeiro, conforme o calendário do instituto.
O Congresso publicou nesta quarta-feira (4) o calendário de votação da LDO e do Orçamento de 2027. A Comissão Mista de Orçamento deve votar o relatório final do Orçamento em 16 de dezembro, e o plenário do Congresso, no dia seguinte. Antes disso, o IBGE divulga o INPC de outubro, em 12 de novembro, e o de novembro, em dezembro. São os dois últimos dados que faltam para fechar a conta do novo mínimo.





