Resgatado como sucata há 8 anos, vagão é restaurado em SP – 08/08/2026 – Sobre Trilhos
Um vagão ferroviário que sobreviveu a um incêndio no interior de Minas Gerais teve a sua recuperação concluída numa oficina mantida por uma associação de preservação em Campinas.
O carro de passageiros, fabricado em 1973 e que atendeu a RFFSA (Rede Ferroviária Federal S.A.), voltou aos trilhos no último final de semana na linha turística mantida pela ABPF(Associação Brasileira de Preservação Ferroviária) entre Campinas e Jaguariúna.
O carro foi fabricado pela própria RFFSA nas oficinas que mantinha em Divinópolis (MG) e teve como última atividade “de linha” atuar no trem entre Barra Mansa e Lavras, há cerca de três décadas.
Depois, foi cedido à Prefeitura de Pouso Alegre para um trem turístico e passou anos abandonado, até ser alvo de um incêndio.
Foi resgatado pela ABPF em 2018, e a intenção inicial era a de que fosse colocado para restauro no ano seguinte, mas a pandemia de Covid-19 paralisou a operação do trem —o que secou a fonte de receitas da associação— e surgiram demandas mais urgentes para recuperação, o que fez com que seu restauro fosse concluído somente neste ano.
Foi o único vagão que sobrou da composição turística que operava em Pouso Alegre, que além da locomotiva tinha outros três carros de passageiros.
Sem vigilância em tempo integral após a extinção do serviço, os patrimônios ferroviários sofreram com vandalismo, o que não é inédito —longe disso— na história dos trilhos no Brasil.
Os vagões foram saqueados e tiveram danos estruturais, mas foi o incêndio o principal responsável pela destruição do acervo.
No último sábado (1), o carro foi usado com destaque no trem, logo atrás da maria-fumaça, para a viagem dos turistas nos 24 quilômetros de trilhos entre os dois municípios e celebrado por sócios da ABPF, que aguardavam seu restauro por ser um carro de passageiros dos mais novos no acervo da associação e por ter uma cor que se destaca do padrão ferroviário.
Embora “novo” para o histórico dos veículos usados nos trens turísticos, foi o que chegou em pior situação às mãos da ABPF, segundo o diretor administrativo Hélio Gazetta Filho.
VOLTA PARA CASA
Um motivo extra celebrado pelos entusiastas da memória ferroviária brasileira é que o vagão chegou a ser da ABPF, que o cedeu para uso em solo mineiro.
Deixou Campinas em plenas condições de operação, com energia elétrica, bateria, janelas e fiação, e foi “devolvido” praticamente em estado de sucata 20 anos depois.
O veículo foi cedido à cidade mineira após pedido do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).
Segundo dados da associação, o vagão era considerado de segunda classe e foi utilizado também em trecho da extinta Viação Férrea do Centro-Oeste.
Apesar de todo o tempo e recursos investidos, recuperar o vagão era importante para a ABPF por ser o primeiro de fabricação da própria RFFSA a fazer parte do acervo.
A entidade possui máquinas de algumas das mais importantes companhias ferroviárias que atuaram no país, como São Paulo Railway, Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, Estrada de Ferro Sorocabana, Estrada de Ferro Araraquara, Companhia Paulista de Estradas de Ferro, Noroeste do Brasil, Viação Férrea Rio Grande do Sul, São Paulo-Paraná, Rede Mineira de Viação e Estrada de Ferro Vitória a Minas.
Apesar de os outros três vagões terem sido incendiados em Pouso Alegre, peças como eixos se salvaram e também foram levadas para as oficinas da ABPF na estação Carlos Gomes, em Campinas.
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