Concluído inquérito sobre acidente com 23 mortes no Paraná – 07/10/2026 – Cotidiano
A Polícia Civil do Paraná afirmou nesta quarta-feira (7) que os motoristas do caminhão e do micro-ônibus que bateram em 19 de agosto na BR-373 estavam dirigindo com velocidades acima das permitidas para o trecho da rodovia, em Ipiranga, região central do estado. O acidente deixou 23 pessoas mortas.
A informação consta no inquérito policial concluído nesta quarta. Os dois motoristas estão entre os mortos e, por isso, a delegada responsável pelo caso, Ingrid Priotto, sugere o arquivamento da apuração.
Exames toxicológicos dos dois motoristas deram negativo para álcool e drogas.
A batida envolveu um caminhão, que invadiu a pista contrária, e um micro-ônibus pertencente à Prefeitura de Imbituva, que transportava pacientes para exames e consultas médicas em Curitiba. O caminhão seguia no sentido de Ponta Grossa para Prudentópolis.
O impacto resultou na morte de 22 pessoas que estavam no ônibus e do motorista do caminhão. Outras cinco pessoas, todas passageiras do ônibus, sobreviveram com ferimentos.
Segundo a delegada, as provas produzidas demonstram que a colisão frontal foi provocada por uma “combinação de fatores” envolvendo os dois veículos.
Laudos da Polícia Científica do Paraná e da Polícia Rodoviária Federal indicaram falhas na condução e manutenção do caminhão. O veículo apresentava desgaste que reduzia a eficiência da frenagem.
O veículo é de propriedade da empresa Meggatrans Transportes, com sede em Erechim, no Rio Grande do Sul. A reportagem encaminhou email à empresa por volta das 14h30 para comentar a questão envolvendo o desgaste do caminhão, mas ainda não teve uma resposta.
A Polícia Civil afirmou que as falhas podem ter contribuído para o acidente, mas não foram a causa direta.
O caminhão é do tipo que realiza transporte de animais. No momento do acidente, ele estava sem nenhuma carga.
Dados de telemetria apontaram ainda que o caminhão trafegava a 80 km/h instantes antes da batida, em um trecho onde a velocidade máxima permitida era de 60 km/h.
Com relação ao ônibus, o cronotacógrafo digital indicou que o veículo transitava a 101 km/h no momento do impacto, excedendo em 41 km/h o limite para aquele trecho da rodovia.
Depoimento de um dos passageiros sobreviventes diz que o ônibus havia saído de Imbituva com 20 minutos de atraso e que o motorista dirigia de forma “apressada”.
Além das velocidades, a delegada considera “plausível que o condutor do caminhão estivesse distraído com o celular no momento em que invadiu a contramão”, devido aos registros de uso do aparelho.
“A investigação apurou que o motorista do caminhão conectou-se ao aplicativo WhatsApp cerca de 17 minutos antes da colisão”, diz a delegada.
O inquérito policial agora segue para análise do Ministério Público.





