Árbitro somali excluído da Copa apitará Supercopa da Uefa – 11/08/2026 – Esporte
Impedido de realizar o sonho de apitar na Copa do Mundo de 2026 após ter sua entrada nos Estados Unidos negada em junho, o árbitro somali Omar Artan foi convidado pela Uefa para comandar, na quarta-feira (12), a final da Supercopa da Europa entre PSG e Aston Villa.
Antes do início da Copa do Mundo, o árbitro de 34 anos se viu no centro das atenções da mídia após ter sua entrada recusada ao chegar ao Aeroporto Internacional de Miami, apesar de fazer parte do grupo de árbitros selecionados pela Fifa para o torneio.
“Foi um período muito difícil”, reconheceu Omar Artan em uma entrevista publicada no site da Uefa.
“Muitas pessoas estão demonstrando solidariedade, porque quando você trabalha anos para realizar um projeto e, no fim, não consegue, é muito duro”, acrescentou.
Rejeição do Departamento de Estado
O Departamento de Estado dos Estados Unidos justificou a rejeição explicando que o árbitro tinha “ligações com indivíduos suspeitos de pertencerem a organizações terroristas”, o que “tornava o viajante inelegível para entrar” em seu território.
Acusações que o árbitro nega e que provocaram indignação na Somália, onde Omar Artan foi recebido como herói ao retornar.
“O que aconteceu com ele é lamentável, mas não controlamos tudo”, declarou o presidente da Fifa, Gianni Infantino.
Em resposta, a Uefa, entidade que rege o futebol europeu, anunciou que Omar Artan apitará a Supercopa da Uefa, que coloca frente a frente o vencedor da Champions League, PSG, e o vencedor da Liga Europa, Aston Villa.
“Tive sorte, mas trabalhei muito para chegar aqui e estou muito orgulhoso”, disse Omar Artan.
Gesto político em meio à disputa
Omar Artan, o primeiro somali a arbitrar uma Copa Africana de Nações, em 2024, apitará sua primeira partida na Europa.
“Viver aventuras, criar memórias e aprender coisas novas é sempre maravilhoso”, disse o árbitro, oferecendo um conselho: “Nunca pare de sonhar”.
Para justificar a decisão de nomear Artan como árbitro da Supercopa, a Uefa destacou o protocolo assinado no final de abril com a CAF (Confederação Africana de Futebol) para fomentar a cooperação entre as duas confederações.
Mas, acima de tudo, trata-se de um gesto político da Uefa, crítica frequente da Fufa, que assume ainda maior significado diante do conflito que opôs a entidade europeia a Infantino nas últimas duas semanas, referente ao plano fracassado de abrir a entidade máxima do futebol mundial a investidores privados.
Um fracasso em grande parte devido à rebelião liderada pela Uefa, que anunciou um boicote aos torneios da Fifa, incluindo a Copa do Mundo, numa tentativa de forçar a renúncia de Infantino.





