Ventania arrasadora é sinal do El Niño? O que esperar
Quando falamos de extremos [climáticos], estamos falando de chuvas intensas e ondas de calor, não de vendavais. A intensidade dos ventos não depende do El Niño.
José Marengo, climatologista
El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial. O padrão é reconhecido quando a temperatura média da superfície do mar fica pelo menos 0,5°C acima do normal por um período prolongado, alterando ventos e regimes de chuva em várias partes do planeta.
Segundo Marengo, o El Niño modifica a circulação atmosférica em escala global, mas isso não significa que aumente a velocidade das rajadas. “O que pode depender do El Niño é o fato de uma frente fria ficar estacionária, por exemplo, na região Sul do Brasil”, afirma.
Em anos de El Niño, no entanto, o inverno do Sudeste costuma ficar um pouco mais úmido. Isso favorece a passagem de frentes frias, explica a meteorologista Ana Maria Ávila, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
Não podemos associar diretamente o episódio ao El Niño. Mas existe uma tendência de termos um inverno um pouco mais úmido no Sudeste, o que pode favorecer a entrada de frentes frias. Foi uma ventania anormal, atípica para esta época do ano. Esse tipo de situação é mais comum na primavera.
Ana Maria Ávila, meteorologista
O que esperar dos próximos meses?
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estima 63% de probabilidade de um El Niño muito intenso entre novembro e janeiro, o que caracterizaria um “Super El Niño”. Esse cenário é definido por um aquecimento de mais de 2°C na temperatura média da superfície do Pacífico, o que tende a ampliar os impactos ambientais. Em um relatório, a NOAA indicou que o evento pode ficar entre os mais fortes registrados desde 1950.
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