Trump: 1 em 3 nos EUA apoia a guerra no Irã, diz pesquisa – 28/07/2026 – Mundo
Apenas 1 em cada 3 americanos apoia a guerra contra o Irã, o menor índice em uma pesquisa Reuters/Ipsos desde os primeiros dias do conflito, que já dura cinco meses, com a maioria dos entrevistados afirmando que o presidente Donald Trump não conseguiu explicar seus objetivos.
A pesquisa, realizada de sexta-feira (24) a domingo (26), também mostrou que o índice de aprovação do presidente republicano subiu para 37%, três pontos acima do mês passado, quando sua avaliação empatou com a mais baixa de seu mandato.
Trump tem apresentado objetivos variados para o conflito, como ajudar os iranianos a derrubar seus líderes, eliminar as capacidades de mísseis balísticos de Teerã e impedir que o regime obtenha uma arma nuclear. A pesquisa revelou que 69% dos americanos —incluindo 4 em cada 10 republicanos— acham que Trump “não explicou claramente os objetivos do envolvimento militar dos EUA no Irã”.
A porta-voz da Casa Branca Olivia Wales disse que Trump não tomará decisões com base em “pesquisas de opinião voláteis” e reiterou a determinação do presidente em impedir que o Irã adquira uma arma nuclear. “O que mais importa para o povo americano é ter um comandante-chefe que tome medidas ousadas para mantê-lo seguro”, afirmou Wales.
A aprovação do conflito está abaixo de 40% desde que os EUA e Israel lançaram ataques em 28 de fevereiro, um contraste marcante com os meses iniciais de outros conflitos recentes.
Embora cada um tenha tido um contexto diferente, a Guerra do Iraque, de 2003 a 2011, teve o apoio de cerca de 70% dos americanos em seus primeiros meses. Durante os primeiros dias da Guerra do Afeganistão, que durou de 2001 a 2021, cerca de 90% do país apoiava a guerra, segundo pesquisas do Gallup.
‘Não faço ideia’ do motivo da guerra
A desaprovação pública da guerra está pesando sobre Trump e seu Partido Republicano antes das eleições de meio de mandato, em novembro, quando os aliados do presidente defenderão maiorias apertadas no Congresso dos EUA.
“Não está claro por que começamos uma guerra com eles. Não faço ideia”, disse Alex Womack, um especialista aposentado em reparo de turbinas de Stockbridge, na Geórgia, que se tornou republicano em parte porque gostou de como o presidente republicano George H. W. Bush conduziu a Guerra do Golfo em 1991.
Womack, que serviu no Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA durante aquele conflito, disse que seu apoio a Trump diminuiu por causa da guerra. “Pessoalmente, não acho que ele esteja indo muito bem”, afirmou.
Até o momento, 18 soldados americanos morreram no conflito, enquanto milhares morreram no Irã e no Líbano, onde combatentes aliados do Irã enfrentam forças de Israel.
A guerra elevou drasticamente os preços da gasolina, um golpe nas finanças de muitos americanos. Os preços da gasolina estão em média pouco acima de US$ 4 o galão em todo o país, ante cerca de US$ 3 o galão pouco antes do início da guerra, em 28 de fevereiro.
“Isso pressiona o partido de várias maneiras, todas ruins”, disse Alex Conant, estrategista político republicano e porta-voz da Casa Branca durante a presidência de George W. Bush. “Os funcionários da Casa Branca vêm dizendo desde janeiro que precisam vencer os argumentos econômicos. É difícil vencer os argumentos econômicos quando você está claramente focado em política externa.”
Eleitores independentes registrados na última pesquisa Reuters/Ipsos disseram que estavam favorecendo o candidato democrata ao Congresso em relação ao republicano por 36% a 20%. Os eleitores independentes também favoreceram os democratas em relação aos republicanos em política econômica, segundo a pesquisa.
Durante a campanha para a eleição presidencial de 2024, Trump disse que manteria os EUA fora de conflitos prolongados. Ele inicialmente estimou que a guerra com o Irã duraria de 4 a 5 semanas. Ele tem se irritado com comparações a outras guerras, incluindo a Guerra do Vietnã, que durou duas décadas e custou a vida de mais de 58 mil soldados americanos.
Rhyan Anderson, um eleitor independente de Fairburn, também na Geórgia, que votou em Trump em 2024, disse que acha que o republicano deveria se concentrar em problemas domésticos em vez de ajudar Israel ou outros aliados.
“Minha maior preocupação é simplesmente focar nas pessoas que realmente estão no país”, disse Anderson, que trabalha em dois empregos em segurança e coleta de dados e disse ter votado no democrata Joe Biden em 2020. “Sei que temos aliados e coisas assim, mas há muitas pessoas aqui que realmente precisam de ajuda.”
Desde meados de março, a pesquisa Reuters/Ipsos tem perguntado aos entrevistados se apoiam ou se estão em oposição a ataques militares ao Irã. Naquela época, 37% disseram apoiar a guerra.
Isso se compara a 27% de aprovação no dia em que a guerra começou, quando a pesquisa Reuters/Ipsos também deu aos entrevistados a opção de escolher “não tenho certeza”, resposta que 29% escolheram.
A última pesquisa Reuters/Ipsos, realizada online e em âmbito nacional, coletou respostas de 1.246 adultos americanos e teve uma margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos.





