Três Poderes se unem num pacto de conveniências mútuas - 27/08/2026 - Dora Kramer - FlaNotícias

Três Poderes se unem num pacto de conveniências mútuas – 27/08/2026 – Dora Kramer


Nada como a conjugação de interesses para promover tréguas de ocasião. É o que se viu no acerto entre os presidentes da República, da Câmara dos Deputados e do Senado para levar adiante, no Legislativo, pautas populistas às vésperas das eleições.

Junte-se a eles o quarto elemento na figura do sujeito mais ou menos oculto do Supremo Tribunal Federal, cujo vice-presidente achou pelo bem da República fazer as vezes de mediador político do armistício de conveniência.

No trajeto entre a mesa de jantar de Alexandre de Moraes e a fotografia “toda sorrisos” dos novos “companheiros”, sumiram do mapa a revolta de Luiz Inácio da Silva (PT) com a recusa de indicação ao STF, as travas de Davi Alcolumbre (União Brasil) à agenda do Senado e a dubiedade de Hugo Motta (Republicanos) entre governo e oposição.

Os três vinham às turras, de conflito em conflito, a ponto de o presidente da República, no primeiro semestre, ter ensaiado fazer do “Congresso inimigo do povo” um slogan de campanha.

Mas aí veio a proximidade do fim dos mandatos de Lula no Palácio do Planalto, Motta na bancada da Paraíba, Alcolumbre no comando do Congresso e tudo se ajeitou sob a bênção de um dos guardiões da Constituição, preocupado com o futuro.

O presidente da República precisa do apoio do centrão para se reeleger. O deputado Hugo Motta necessita do prestígio de Lula em terras paraibanas para levar o pai ao Senado, garantir sua vaga na Câmara e se aliar a Alcolumbre na aposta de que Lula reeleito sustente a recondução dos dois ao comando do Parlamento, em fevereiro de 2027.

Isso para só tratar da parte visível do acerto, cujos termos exatos estão por ser revelados. Ou não. Conciliações são sempre bem-vindas; contribuem para a harmonia, desde que não agridam o princípio da autonomia entre os Poderes, obedeçam ao requisito da transparência e se conduzam exclusivamente pelo atendimento ao interesse público.

Não foi o que vimos nesse conluio de autoridades referidas em conveniências individuais e recíprocas.


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