Tarifa dos EUA impacta US$ 11 bi de exportações brasileiras, diz Amcham
Decisão contrasta com cenário atual da balança comercial entre os dois países. Impactos atingem setores considerados estratégicos para a cooperação bilateral, como minerais críticos, energia, economia digital e propriedade intelectual. Segundo a entidade, o aumento das tarifas ocorre em um momento de retração do comércio entre os dois países, que já acumula queda de 13% no ano e levou a participação dos Estados Unidos no comércio exterior brasileiro ao menor nível histórico.
De acordo com a Amcham, os Estados Unidos registraram superávit de US$ 41,8 bilhões no comércio de bens e serviços com o Brasil em 2025. Além disso, destaca que as tarifas efetivamente cobradas pelo Brasil sobre produtos americanos permanecem em patamares considerados baixos.
Sobretaxas tendem a elevar custos para companhias e consumidores dos Estados Unidos também. A Amcham aponta que as tarifas encarecem produtos e reduzem a competitividade de indústrias norte-americanas que utilizam insumos brasileiros e ampliar a dependência do país de fornecedores asiáticos.
Empresários temem ampliação das barreiras tarifárias. Segundo o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, uma investigação adicional conduzida pelos Estados Unidos sobre suposto trabalho forçado poderá resultar em novas sanções e elevar as sobretaxas aplicadas aos produtos brasileiros para até 37,5%.
Esperamos que os governos do Brasil e dos Estados Unidos mantenham abertos os canais de diálogo. Embora não tenha sido possível alcançar um acordo, as negociações se intensificaram nos últimos meses e seguem sendo o caminho mais eficaz para a retirada das sobretaxas e a construção de uma agenda bilateral mais ampla. Esse esforço torna-se ainda mais urgente diante da probabilidade de novas tarifas no âmbito da investigação da Seção 301 sobre trabalho forçado, que poderão elevar as sobretaxas sobre produtos brasileiros para até 37,5%. Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil
Indústria
Indústria defende reforço das negociações. A CNI (Confederação Nacional da Indústria) se juntou à Amcham na defesa de um acordo negociado para evitar o agravamento das barreiras comerciais entre os dois países. Seguindo a entidade, após a adoção das tarifas em 2025, as exportações brasileiras para os americanos recuaram 13%, o equivalente a US$ 2,6 bilhões.





