Surpresa na inflação reforça mais cortes de juros – 10/07/2026 – Economia
A inflação anual do Brasil desacelerou para 4,64% em junho, abaixo de todas as estimativas em uma pesquisa da Bloomberg com economistas, cuja mediana era de 4,8%. Os preços ao consumidor subiram 0,16% em relação a maio, o ritmo mensal mais lento desde outubro, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira (10) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O relatório de inflação veio após outra surpresa negativa na economia brasileira, depois dos dados inesperadamente fracos de criação de empregos em maio, que marcaram a leitura mais fraca para o mês desde 2020. Juntas, as leituras mais fracas do que o esperado levaram economistas a precificar cada vez mais outro corte de 25 pontos-base na taxa de juros na próxima reunião do Banco Central.
Para Kimberley Sperrfechter, economista sênior de mercados emergentes da Capital Economics, a comunicação da instituição monetária em sua reunião de junho pareceu mais cautelosa, sinalizando que os banqueiros centrais estão abertos a mais flexibilização, mas com pausas no ciclo.
“A surpresa de baixa na inflação provavelmente dará confiança aos formuladores de políticas para realizar outro corte de 25 pontos-base na próxima reunião em 5 de agosto, embora muito dependa dos dados de inflação e atividade até lá”, acrescentou ela.
No mês passado, os formuladores de políticas liderados por Gabriel Galípolo reduziram a taxa Selic de referência em um quarto de ponto percentual para 14,25%, reiterando que o ritmo de flexibilização adicional dependeria dos dados recebidos.
Mesmo assim, os membros do conselho alertaram que a atividade econômica mais forte e a inflação persistente, combinadas com o recente estímulo fiscal, poderiam manter as pressões de preços elevadas.
Segundo o economista sênior do Banco BMG, Flávio Serrano, os maiores desafios serão para as reuniões do Copom após agosto.
Habitação foi o maior impulsionador da inflação em junho, com preços subindo 0,63% e adicionando 0,10 ponto percentual à leitura mensal. Os preços de alimentos e bebidas, que haviam alimentado a inflação durante grande parte do ano passado, caíram 0,24%, fazendo a maior contribuição negativa para a leitura mensal.
As variações nas demais categorias variaram de uma queda de 0,02% em educação a um aumento de 0,25% em despesas pessoais.
Com a aproximação das eleições, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou medidas para apoiar o crescimento, incluindo o Desenrola Brasil, linhas de crédito subsidiadas e uma suspensão temporária de alguns impostos sobre combustíveis, adicionando estímulo fiscal enquanto o líder de esquerda faz campanha para um quarto mandato em outubro.
Em seu último relatório de política monetária, o banco central projetou que a inflação alcançaria 5,2% até o final de 2026, permanecendo acima do limite superior de 4,5% de sua faixa de meta por mais de dois trimestres consecutivos.
Posteriormente, ela desaceleraria para 3,7% no quarto trimestre de 2027 —atualmente o horizonte relevante do banco central para a política monetária— e finalmente alcançaria 3,1% no final de 2028.





