Surpresa baixista de junho não altera inflação acima do teto em 2026
Números benignos da inflação de junho — a inflação em serviços recuou e a média dos núcleos de inflação, por exemplo, recuou de 0,45% em maio para 0,21% em junho — indicam o início da dissipação de pressões oriundas da guerra no Oriente Médio. Mas incertezas em relação à trégua na região e esperados efeitos negativos na oferta de alimentos por questões climáticas não permitem supor alterações significativas na trajetória da inflação.
O recuo dos preços entre o IPCA-15 e o IPCA cheio de junho foi bastante concentrado no grupo Alimentos — tanto no domicílio quanto fora dele. A inflação de alimentos registrou deflação de 0,4% em junho, depois de subir 0,9% no IPCA-15, enquanto fora do domicílio avançou apenas 0,15% depois de alta de 0,4% no IPCA-15.
Gangorra na inflação mensal
No subgrupo alimentos em domicílio, as projeções são de novo recuo, e ainda mais forte, para julho. A deflação prevista é de 0,5%. Os preços de alimentos voltariam a subir, mas pouco, em setembro e outubro.
Já no último trimestre do ano, sob a provável influência do esperado super El Niño de 2026 e 2027, as variações de preços de alimentos dariam um salto, chegando a subir 1% em dezembro e terminando 2026 com expressiva alta acumulada de 7%.
No geral do IPCA, as projeções para julho apontam um repique da inflação, que subiria para 0,3% na comparação com junho. No restante do ano, a inflação mensal, de acordo com as projeções mais confiáveis, experimentaria uma trajetória de gangorra.





