Senado: informar visitas de Vorcaro expõe parlamentares – 08/10/2026 – Brasília Hoje
O Senado voltou a se manifestar na quarta-feira (7) contra a divulgação do registro de visitas da advogada Viviane Barci, esposa do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, e do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, a gabinetes da Casa entre 2019 e 2026.
A manifestação do Senado foi enviada ao ministro Luiz Fux, relator do caso na corte. O documento afirma que uma eventual decisão de Fux que determine o acesso aos dados seria uma ingerência direta do Judiciário sobre prerrogativas parlamentares, “tensionando a harmonia entre os Poderes”.
O texto também cita a possibilidade de “riscos institucionais” caso a informação –que, segundo a Casa, pode ser explorada politicamente– venha a público.
A advocacia do Senado defendeu que as informações sobre visitas à Casa revelam padrões de comportamento, redes de relacionamento com fontes e interlocutores e posições político-ideológicas dos parlamentares e não são “informações institucionais de caráter impessoal” –o que justificaria a restrição.
Intimada a se manifestar por Fux, a advocacia do Senado argumentou que o pedido deve ser extinto sem a análise do mérito porque o autor dele, o vereador de Curitiba e deputado federal eleito no último domingo (4) Guilherme Kilter (Novo-PR), não apresenta interesse capaz de justificar o acesso à informação.
O pedido também inclui o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, que é filho do presidente Lula (PT); Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS“; e o sindicalista Frei Chico, irmão de Lula. Os três tiveram os nomes citados nas investigações envolvendo o esquema de fraudes no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
A ação chegou ao Supremo depois de Guilherme Kilter ter acionado a Justiça do Paraná diante de três negativas da Ouvidora do Senado em apresentar os registros de entrada e saída das pessoas citadas via Lei de Acesso à Informação por, segundo a Casa, serem informações de caráter pessoal.
Originalmente, Moraes havia sido sorteado para relatar o processo, mas se declarou impedido por se tratar de sua esposa.
Na manifestação, o Senado disse que o político do Novo usa o direito à LAI de forma genérica e abstrata para ter acesso a dados pessoais de terceiros e apontou que o fato de ele ter sido candidato “recomenda especial cautela”.
“A LAI foi concebida para permitir que o cidadão conheça e fiscalize a atuação do Poder Público, e não para franquear, indistintamente, o monitoramento retrospectivo da circulação, dos contatos e das relações mantidas por pessoas determinadas”, diz trecho do documento.
“Há diferença substancial entre tornar transparente a atuação institucional do Senado Federal e utilizar registros administrativos sob sua custódia para reconstruir, por iniciativa de um particular, os deslocamentos e possíveis interlocuções de outros indivíduos ao longo de vários anos”, completa.
O contrato de R$ 131 milhões firmado pelo escritório de advocacia da mulher de Moraes com o Banco Master e as investigações contra Lulinha são alguns dos temas mais explorados pela oposição na corrida eleitoral para desgastar o atual presidente e seus aliados. O Novo declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno contra o petista.
Segundo a advogada Gabrielle Tatith Pereira, que assina a peça ao Supremo, a interlocução dos senadores e suas assessorias envolve informações sensíveis e tratativas que pressupõem algum grau de reserva e expor isso atingiria a confidencialidade das relações mantidas no exercício do mandato, além de criar um “efeito inibidor” na atividade parlamentar.
“Abre-se um campo fértil para descontextualizações e inferências com finalidades político eleitorais, das quais decorrem graves repercussões institucionais”, afirma.
“A concessão da ordem destruiria esse espaço de liberdade, submetendo as interlocuções parlamentares a um escrutínio indiscriminado, com efeitos sobre a própria função representativa.”
Em entrevista a jornalistas na Câmara, Guilherme Kilter disse que vai questionar no STF a manifestação do Senado. “Tenho certeza que o ministro Luiz Fux, um ministro seríssimo, independente, vai dar andamento a esse caso”, declarou.
Fux é da ala do Supremo alinhada a André Mendonça, que foi relator do caso Master, e oposta a Moraes, tornando-se peça-chave para interesses bolsonaristas. Ambos já tiveram os nomes ligados a Daniel Vorcaro. Fux nega ter mantido contato com o ex-banqueiro e Moraes também nega irregularidades.
Mensagens extraídas pela Polícia Federal também mostram que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), manteve uma relação de amizade com o dono do Master, segundo revelou a revista Veja e confirmou a Folha.
O chefe da Casa fala em “falsas acusações” e disse que as “supostas mensagens” têm teor pessoal e não indicam ilegalidade.
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