Quem deveria pagar a conta pela eliminação do Flamengo na Libertadores?
O primeiro culpado pela eliminação é o Estudiantes. Uma equipe bem treinada e ciente de suas limitações, que parou o melhor elenco do continente na tática e na raça. O mérito é deles.
É fácil apontar o dedo também para Paquetá, Bruno Henrique e Jorginho, que bateram mal seus pênaltis e facilitaram a consagração do questionando goleiro Muslera. Mas só perde quem bate e os maiores problemas do Flamengo aconteceram antes de chegar à disputa. Em parte, graças a escolhas ruins de Leonardo Jardim.
Ele, sim, talvez seja o mais tentador dos bodes expiatórios, até pela natureza de sua profissão e a facilidade de cortar uma cabeça só como resposta ao fracasso. O português cometeu erros sucessivos, de escalação e, ao que parece, de motivação. O time surgiu apático, quase displicente, em partidas absurdamente importantes.
O cerne da questão, no entanto, me parece ser: por que Jardim estava à beira do campo? E a resposta nos leva ao grande vilão dessa trama.
Luiz Eduardo Baptista, o Bap, demitiu Filipe Luís depois de o jovem técnico conquistar cinco títulos, em menos de um ano e meio: Copa do Brasil, Supercopa, Carioca, Libertadores e Brasileiro. Em 17 de dezembro de 2025 o Flamengo levou o todo-poderoso PSG aos pênaltis, por pouco não selando o ano glorioso com um título mundial. Em 3 de março, Filipe estava desempregado. O início de ano turbulento se devia basicamente a um calendário impiedoso e a um planejamento mal feito pela diretoria. Quem pagou a conta? O treinador. O mesmo que ficou as seis primeiras rodadas do campeonato francês invicto com o Monaco e está impressionando os europeus que Bap tanto admira.
O mais provável é que Leonardo Jardim acabe sacrificado pela melancólica eliminação na Libertadores. O verdadeiro culpado, porém, é o homem que assina seus contracheques. O homem que focou seus esforços em ressuscitar bets. O homem que colocou a conta do Paquetá acima do bem-estar da população. O homem que se considera uma ilha no Brasil. O homem que comanda o time mais popular do Brasil, mas queria mesmo ser o Real Madrid. O homem que preferiu mandar embora um dos melhores técnicos brasileiros para camuflar os próprios equívocos. O homem que personifica a palavra soberba.





