Quatro bancos privados terão R$ 50 bi para inovação verde - 30/09/2026 - Economia sustentável - FlaNotícias
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Quatro bancos privados terão R$ 50 bi para inovação verde – 30/09/2026 – Economia sustentável



Brasília


Os bancos Bradesco, HSBC, Itaú e Santander venceram a concorrência realizada pelo programa Eco Invest Brasil, iniciativa criada com recursos do Fundo Clima, que financia projetos de redução de emissões de gases de efeito estufa e adaptação à mudança do clima.

Conforme informações obtidas pela Folha, as propostas dos quatro bancos reúnem R$ 13,2 bilhões em recursos públicos e R$ 36,75 bilhões em capital privado, que eles se comprometeram a mobilizar, num total de quase R$ 50 bilhões para fundos de investimento e empréstimos a empresas com a finalidade de apoiar projetos com esse objetivo.

O Bradesco venceu em três das seis áreas de investimentos previstos no programa: fertilizantes verdes e proteínas alternativas; reaproveitamento de resíduos minerais e industriais; e biomateriais e química verde.

Dez pessoas em pé em um palco, com um homem ao centro segurando um documento aberto. Ao fundo, painel azul com texto sobre a política nacional de minerais críticos, estratégicos e terras raras. Pessoas ao redor aplaudem e sorriem, com bandeiras brasileiras à esquerda.

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sanciona lei que institui a Política Nacional de Minerais Críticos, Estratégicos e Terras Raras, no Palácio do Planalto

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Ricardo Stuckert – 25.set.26/Ricardo Stuckert

O HSBC ficou com combustíveis verdes; biogás; e biometano, e o Santander com beneficiamento de minerais críticos; baterias; e mobilidade elétrica. Já o Itaú liderou na área de automação e inteligência artificial aplicada à produção.

O resultado da concorrência realizada no dia 15 de setembro ainda precisa ser homologado pelo comitê executivo do programa. A concorrência foi realizada pelo Ministério da Fazenda, por meio da Secretaria do Tesouro Nacional.

Ao todo, seis bancos apresentaram 23 propostas. Banco do Brasil e Citibank também participaram, mas não venceram em nenhuma área.

A disputa define quais bancos vão reunir investidores e financiar projetos nas seis áreas pré-definidas. A escolha das empresas que receberão investimento ou crédito será feita numa segunda etapa. Os valores privados apresentados pelos bancos são compromissos de captação que eles fizeram, em suas propostas.

O Eco Invest usa dinheiro público para atrair investimento privado a projetos ligados à transformação ecológica. A lógica é que a participação do governo ajude a viabilizar negócios que precisam de capital para desenvolver tecnologia, ampliar produção ou sair da fase de teste.

Os bancos entram no negócio para organizar essas operações e buscar investidores, inclusive no exterior.

Do lado público, uma das fontes de recursos é a emissão de títulos soberanos sustentáveis pelo Tesouro. Ao vender esses papéis, o governo recebe dinheiro de investidores e assume uma dívida que deverá pagar com juros. Os recursos captados por essa via são destinados ao fundo.

O apoio a empresas foi dividido em duas frentes. Na primeira, fundos de inovação poderão investir em empresas e projetos em fases iniciais ou intermediárias de desenvolvimento tecnológico. A segunda são linhas de crédito oferecidas às empresas interessadas.

Cada uma das seis propostas vencedoras prevê R$ 1,5 bilhão público para o fundo. Os bancos se comprometeram a mobilizar R$ 3 bilhões privados por fundo. Assim, os seis fundos preveem aporte total de R$ 27 bilhões, sendo R$ 9 bilhões públicos e R$ 18 bilhões privados.

Já as linhas de crédito somam outros R$ 22,95 bilhões, dos quais R$ 4,2 bilhões são públicos e R$ 18,75 bilhões privados. É nessa parte da operação que aparecem as maiores diferenças entre os lances.

Na área de combustíveis verdes, o HSBC venceu com uma proposta de R$ 1,6 bilhão público e R$ 3,6 bilhões privados. O total de R$ 5,2 bilhões combina o fundo de inovação e a linha de crédito. A área abrange novos combustíveis e a produção de gás a partir de matéria orgânica, como resíduos agrícolas, dejetos animais e lixo.

O Bradesco ficou com a maior parcela de recursos públicos, um total de R$ 7,5 bilhões nas três áreas que liderou e nas quais promete mobilizar R$ 21 bilhões privados, chegando a R$ 28,5 bilhões.

O Santander ficou à frente de beneficiamento de minerais críticos, baterias e mobilidade elétrica, com R$ 1,6 bilhão público e R$ 4,9 bilhões privados. Na linha de crédito dessa área, o banco se comprometeu a reunir R$ 2 bilhões para empréstimos, a partir de R$ 100 milhões públicos e R$ 1,9 bilhão privado.

O Itaú venceu em automação e inteligência artificial para processos produtivos e tecnológicos. A proposta prevê R$ 2,5 bilhões públicos e R$ 7,25 bilhões privados, num total de R$ 9,75 bilhões.

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À Folha o Ministério da Fazenda declarou que ainda não poderia comentar os dados mencionados, porque ainda é preciso concluir a fase de homologação e “as instituições financeiras participantes ainda estão no prazo para manifestação de interesse nas condições apresentadas no leilão”.

Os bancos vencedores foram procurados pela reportagem, mas não se manifestaram sobre o assunto.

O MMA (Meio Ambiente e Mudança do Clima), que coordena o programa ao lado da Fazenda, declarou que “o Eco Invest Brasil é um dos principais instrumentos do Fundo Clima para financiar a transição ecológica do país” e que esta é a quinta etapa do programa.

“Nos quatro leilões anteriores, as propostas homologadas somaram mais de R$ 140 bilhões, em diferentes estágios de contratação e execução”, declarou.

Segundo o MMA, além dos fundos e da linha de crédito, a rodada prevê recursos não reembolsáveis para pesquisa aplicada com universidades e instituições de ciência e tecnologia. O leilão, segundo o ministério, “leva o financiamento climático a uma etapa em que o risco é mais alto e o capital privado costuma chegar com mais dificuldade”.

Depois da formalização do resultado, disse a pasta, caberá aos bancos vencedores selecionar as empresas e os projetos apoiados.

A parcela privada não precisa sair integralmente do caixa dos bancos. O compromisso é reunir esse dinheiro com investidores e outras fontes de financiamento. Nos fundos, as regras exigem que entre 15% e 45% do capital privado venha do exterior. Nas linhas de crédito, a participação estrangeira deve ser de pelo menos 60% da parcela privada.

Governo e bancos ainda não detalharam as taxas de juros, prazos de pagamento, carência e garantias que serão exigidas das empresas, nem quando o crédito estará disponível.



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