Quais candidatos estão falando a verdade para os aposentados?
Mas não é só o peso da demografia que agrava as contas da Previdência.
Há também um crescente subfinanciamento do setor, causado entre outros motivos pelo avanço desenfreado de fraudes trabalhistas que reduzem substancialmente as contribuições para o INSS. Não à toa, o déficit alcançou R$ 320 bilhões no ano passado, algo em torno de 2,6% do PIB (Produto Interno Bruto).
O impacto nas contas públicas é inegável. Por outro lado, é sempre bom lembrar que, dos cerca de 40 milhões de beneficiários do INSS, 70% recebem apenas um salário mínimo por mês. Idosos que, não raro, representam a principal fonte estável de renda para famílias pobres país afora.
O xis da questão, portanto, é como desarmar a bomba relógio da Previdência, sem comprometer uma política que, junto aos benefícios sociais como o Bolsa Família, distribui renda num país ainda amplamente injusto.
Dia sim, dia também, analistas ligados ao mercado financeiro fazem valer a influência do setor e cobram o fim do elo obrigatório entre o mínimo e os benefícios previdenciários. Sem isso, dizem, não haverá como cortar gastos, conter a dívida pública e baixar os juros escorchantes que asfixiam as famílias brasileiras.
Mas, em geral, os experts que falam em nome do andar de baixo são os mesmos que torcem o nariz para qualquer medida de progressividade tributária que afete o andar de cima — ou seja, que faça os mais ricos pagarem proporcionalmente mais impostos.





