PT acionará Justiça contra rede de collabs pró-Flávio - 18/09/2026 - Mônica Bergamo - FlaNotícias

PT acionará Justiça contra rede de collabs pró-Flávio – 18/09/2026 – Mônica Bergamo


Um levantamento de dados produzido pelo departamento Jurídico do PT e pelo monitoramento digital da Secretaria Nacional de Comunicação do partido diz ter identificado uma rede de 324 perfis no Instagram que usa uma ferramenta da própria plataforma que pode burlar uma determinação do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e impulsionar Flávio Bolsonaro (PL) e outros candidatos e lideranças da direita com ataques a Lula e ao Judiciário.

A sigla pretende anexar a investigação a uma ação que deve ser apresentada ao TSE neste fim de semana.

Entre 15 de agosto e 7 de setembro, a análise identificou 492 publicações feitas em colaboração entre os perfis, a chamada collab. O recurso permite que uma mesma publicação apareça simultaneamente nos perfis de diferentes contas.

Procurado, o PL não se manifestou até o momento.

Segundo o estudo, 207 dessas publicações, ou 42,1%, eram de 74 perfis classificados como de candidatos ou de campanhas.

Esses perfis estão submetidos a uma regra do TSE de 2024 que determina que plataformas com sistemas de recomendação excluam dos resultados as contas informadas à Justiça Eleitoral. É a mesma norma que o ministro Dias Toffoli usou para suspender a propaganda eleitoral digital de Renan Santos (Missão).

Na prática, a regra impede que o conteúdo da conta de um candidato seja recomendado pelo algoritmo a usuários que não seguem aquele perfil. A restrição, porém, não impede que o mesmo conteúdo circule por outras contas.

Se uma conta de candidato publica em collab com páginas de apoio, a publicação também aparece nos perfis dessas outras contas. Um usuário que não segue o candidato pode, portanto, ter contato com o conteúdo a partir de uma outra página que acompanha.

Entre os 74 perfis, foram identificados 35 eram de candidatos a deputado federal, 32 a deputado estadual e 7 a outros cargos. Entre os perfis com partido identificado, 26 são atribuídos ao PL, 5 ao Novo, 4 ao Republicanos e 1 ao PP. Em 38 casos, o estudo não identificou o partido.

Ao todo, os 324 perfis analisados somam 130,9 milhões de seguidores. O número não representa pessoas únicas nem alcance efetivo, já que usuários podem seguir mais de uma conta.

Entre os exemplos analisados está uma publicação que pede votos simultaneamente para Sargento Gurgel, candidato a deputado federal pelo Rio de Janeiro, e Flávio Bolsonaro. A postagem reúne seis perfis em uma única collab.

Entre elas estão perfis que fazem referência a Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira, Marcel van Hattem e Tarcísio de Freitas.

Outro caso reúne Flávio Bolsonaro e Rogério Zeraik Abdalla, candidato a deputado federal por São Paulo. A publicação foi feita em coautoria por quatro contas, incluindo a conta oficial de Rogério, uma página de apoio ao candidato e uma página de apoio ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O levantamento também encontrou grupos de páginas que aparecem repetidamente nas mesmas publicações eleitorais. É o caso de Carol Figueiredo, candidata a deputada federal em Minas Gerais, que fez diversas publicações com collabs das mesmas contas, de perfis não oficiais.

Entre eles estão páginas que fazem referência a Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro e Nikolas Ferreira —são 12 collabs só com o perfil @nikolasferreirateam.

Segundo os pesquisadores, a repetição mostra que esses perfis costumam atuar juntos na divulgação de conteúdos políticos.

Há ainda registros de páginas que declaram publicamente seus administradores. Os perfis @somostodostarcisio e @marcelsenadorapoio, por exemplo, apresentam o nome David Antônio como administrador e indicam o mesmo contato para divulgações e collabs. As duas contas participaram juntas de 53 publicações.

Os pesquisadores selecionaram ainda cinco vídeos que, juntos, tinham cerca de 2,98 milhões de reproduções em 9 de setembro. Dois deles, relacionados ao condomínio de Lulinha em Madri, tinham 1,9 milhão e 749 mil visualizações.

De acordo com o documento, um dos principais pontos a esclarecer é se determinadas páginas de apoio são iniciativas das próprias campanhas, hipótese que poderia submetê-las às regras de comunicação da Justiça Eleitoral, ou se são perfis de pessoas reais que atuam espontaneamente.

A legislação eleitoral permite a manifestação espontânea de eleitores na internet e também a veiculação de propaganda em canais e perfis, inclusive de grande audiência, desde que sejam observadas as regras aplicáveis. A norma também proíbe a contratação ou remuneração de internautas para fazer publicações político-eleitorais em seus próprios perfis mediante vantagem econômica.


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