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Por que os donos da IA pedem para ir mais devagar (mas não vai acontecer)


O plano descrito por Amodei para controlar a IA tem três degraus. Primeiro, avaliadores externos trabalhando dentro de cada laboratório, com acesso de funcionário. Segundo, coordenação entre laboratórios de países democráticos, com autorização antitruste do governo. Terceiro, um acordo global, o que inclui a China.

Os dois lados da moeda

Há uma leitura generosa e uma leitura “cínica” sobre o tema. As duas cabem exatamente dentro dos mesmos fatos.

A leitura generosa diz que o pedido é sincero porque sua aplicação custa dinheiro a quem o faz. Desacelerar o passo de desenvolvimento significa gastar mais capacidade computacional em testes de segurança e menos em produto. Gavin Baker, renomado gestor de fundos de tecnologia, fez a conta: quanto mais GPUs revisitando os modelos, menor a margem.

A leitura “cínica” vem de outro espectro, mais conectado ao lado analítico. David Sacks (o czar de tecnologia de Trump), Michael Burry (a figura central do filme “A Grande Aposta”) e Ben Thompson (reconhecidamente um dos melhores analistas de tecnologia da última década), pontuaram: congelar a corrida com Anthropic, OpenAI e Google na frente é criar uma barreira de entrada disfarçada de prudência.

Thompson foi mais longe e batizou o mecanismo: ao ser a primeira a aceitar avaliadores externos, a Anthropic passa a definir o que se transforma em supervisão legítima, e, na sequência, pedirá ao governo que obrigue os concorrentes a adotar o mesmo modelo. Ele chamou os avaliadores de “comissários de IA”.



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