Pisa 2025: Adolescentes estão ficando menos inteligentes? - 11/09/2026 - Educação - FlaNotícias
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Pisa 2025: Adolescentes estão ficando menos inteligentes? – 11/09/2026 – Educação


A cada três anos, a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) divulga os resultados de uma avaliação internacional que mede o desempenho de jovens de 15 anos em matemática, leitura e ciências. Os dados mais recentes, publicados na última terça-feira (8), eram aguardados com expectativa de recuperação após a forte queda registrada na rodada anterior, realizada logo depois da pandemia.

No entanto, não foi isso que aconteceu. Nos países ricos, principal foco do levantamento, as notas caíram novamente nas três áreas avaliadas, ampliando o alerta sobre os impactos persistentes da pandemia na aprendizagem.

Em leitura, a queda está, na verdade, se acelerando. Esses dados sugerem que existem fatores de longo prazo pressionando para baixo o desempenho escolar e que, sem uma correção rápida, as habilidades dos alunos podem ainda chegar a níveis mais baixos. Qualquer pessoa preocupada com os jovens de hoje —e com as economias de amanhã —deveria estar alarmada.

O Pisa mede as habilidades dos estudantes quando eles se aproximam do fim da escolarização obrigatória. Ao longo dos anos, aumentou o número de sistemas educacionais participantes. Os testes mais recentes foram aplicados nos 38 países-membros da OCDE e em outros 53 locais, muitos deles economias em desenvolvimento. Os resultados são usados para criar uma espécie de ranking internacional.

Neste ano, como em quase todas as edições desde 2000, os sistemas educacionais asiáticos dominam o topo da classificação. As crianças da China —que participam pela primeira vez desde 2018— superaram quase os demais países, embora as pontuações sejam distorcidas pelo fato de os testes serem aplicados apenas em quatro províncias ricas.

Em ciências e matemática, os estudantes chineses obtiveram resultados cem pontos acima da média dos países da OCDE. Como regra geral, considera-se que 20 pontos correspondem aproximadamente ao ganho de aprendizagem de um aluno médio ao longo de um ano inteiro. Na sequência aparecem estudantes de Singapura, Macau, Taiwan e Japão.

A Estônia continua parecendo ser o melhor sistema educacional do Ocidente. A Turquia está avançando muito rapidamente. E há uma notícia animadora para o Reino Unido, cujos jovens agora estão entre os dez primeiros do mundo nas três áreas avaliadas. Em comparação com três anos, o Reino Unido melhorou seus resultados em ciências e manteve os de leitura e matemática praticamente estáveis. Isso conta como um bom resultado quando muitos outros países estão registrando quedas.

Ainda assim, quando se amplia o olhar, a história é de declínio de longo prazo. As notas médias dos 23 países-membros da OCDE que participaram de todas as edições do Pisa atingiram um pico por volta de 2012 e vêm caindo desde então. Em matemática e leitura, os jovens de 15 anos desses países agora apresentam um desempenho equivalente ao que poderia ter sido alcançado por estudantes de 14 anos uma década atrás.

Os dados dos Estados Unidos são prejudicados pelas baixas taxas de resposta, embora as informações disponíveis indiquem que, na rodada mais recente de testes, as pontuações em leitura despencaram em linha com a tendência observada nos países ricos.

Nos países em desenvolvimento, o cenário é um pouco menos sombrio, porque o desempenho já parte de níveis mais baixos. Mas, mesmo em muitos desses locais, as notas em matemática e leitura estão caindo.

As crianças que já estavam entre as que apresentavam pior desempenho estão ficando ainda mais para trás. Entre os sistemas educacionais, a diferença entre os estudantes de baixo e alto desempenho é agora a maior já registrada pelo Pisa em todas as áreas avaliadas. Cerca de 20% dos jovens de 15 anos nos países da OCDE são considerados alunos de baixo desempenho simultaneamente em leitura, matemática e ciências —ante 16% quando os testes foram realizados quatro anos atrás.

A OCDE afirma que esses jovens terão dificuldades para compreender qualquer coisa além dos textos mais simples ou para entender uma conta de serviços públicos.

O que está causando esse declínio? O impacto persistente da pandemia tem um papel. Os jovens que participaram dos testes do Pisa neste ano tinham cerca de dez anos quando a Covid-19 chegou. É possível que tenham sido mais prejudicados pelas interrupções daquele período do que adolescentes que já estavam mais avançados em sua trajetória escolar.

A pandemia também criou novos problemas, como o aumento das faltas às aulas, que continuam sem solução. As taxas de faltas continuam muito mais altas do que antes da disseminação da Covid, por razões bastante debatidas. Nos países ricos, cerca de 15% dos alunos faltam pelo menos um dia de aula no ensino primário a cada duas semanas, ante cerca de 10% em 2019; as faltas também aumentaram no ensino secundário. Mesmo a perda de alguns dias de aula pode ter um grande impacto nas notas.

Nossas crianças estão aprendendo?

No entanto, a queda nas pontuações também vai intensificar preocupações antigas sobre o impacto da tecnologia na aprendizagem das crianças —e, em particular, sobre suas habilidades de leitura. Telefones onipresentes e o amplo acesso às redes sociais fazem com que os jovens tenham menos prática em compreender textos complexos, afirma Andreas Schleicher, chefe da área de educação da OCDE.

Schleicher aponta para o aumento do número de participantes classificados como “leitores apressados”, que passam rapidamente pela avaliação de leitura, mas erram muitas das respostas.

As telas estão afastando as crianças dos livros: o número de crianças de nove anos nos Estados Unidos que dizem ler por prazer caiu de quase 60% na década de 1990 para 37% atualmente. A queda na proficiência em leitura pode estar prejudicando as notas em outras disciplinas, pois ler bem também é fundamental para avançar em matérias como matemática e ciências.

Enfrentar esses desafios exige políticas educacionais de primeira linha. Mas, em uma ampla gama de questões, os ministérios da educação parecem estar falhando em responder a esses desafios. Schleicher teme que as escolas tenham se tornado “complacentes” e que estejam cada vez mais inclinadas a dizer aos alunos e aos pais que “um trabalho medíocre é ótimo”.

Ele critica o uso excessivo e desordenado de softwares educacionais nas salas de aula, argumentando, em um artigo publicado como convidado na The Economist, que os alunos muitas vezes se tornaram “cobaias” de equipamentos não comprovados. Alguns dados sugerem que as escolas também estão se tornando mais desordeiras. Em uma pesquisa recente, professores do mundo rico relataram que o tempo gasto simplesmente para manter a ordem está aumentando gradualmente.

O próprio Pisa pode ter alguma parcela de culpa por conduzir os reformadores escolares por um caminho equivocado. Quando os testes foram aplicados pela primeira vez, em 2000, a Finlândia chocou o mundo ao liderar o ranking.

Autoridades que viajaram a Helsinque em busca de lições voltaram para seus países com mensagens que os professores locais estavam bastante dispostos a receber. A Finlândia parecia ter alcançado resultados impressionantes com poucos testes e inspeções. O sistema educacional do país defendia uma aprendizagem “baseada em brincadeiras”, especialmente para crianças mais novas.

O argumento era que os professores deveriam passar menos tempo falando diante da lousa e mais tempo ajudando os alunos a resolver problemas por conta própria. No entanto, desde aquele primeiro teste, quase nenhum país viu suas pontuações cair tão acentuadamente quanto a Finlândia —uma queda que continua nos resultados mais recentes.

Os críticos do país sustentam que as notas altas registradas em 2000, na verdade, refletiam abordagens educacionais tradicionais que ainda predominavam nas escolas durante boa parte da década de 1990 —e não as políticas “progressistas” mais recentes pelas quais o país ficou famoso. Se for esse o caso, o erro pode ter colocado dezenas de sistemas educacionais no caminho errado.

Que países poderiam servir agora de modelo? Os sistemas educacionais asiáticos também apresentaram parte das quedas registradas nos últimos anos, mas, em geral, menos do que outros países ricos. A grande diferença nas pontuações entre Oriente e Ocidente sugere que vale a pena voltar a analisar as políticas adotadas nos países do leste da Ásia.

Os pais da região dão grande importância à educação e frequentemente gastam muito dinheiro com aulas extras. Os críticos têm razão ao dizer que esses fatores sociais são difíceis de reproduzir. Mas os políticos da região também tomaram decisões acertadas.

Os países asiáticos são muito menos obcecados do que os ocidentais em manter turmas pequenas. Em geral, optam por ter menos professores, que podem ser mais bem remunerados e receber formação mais intensa. Isso parece funcionar melhor do que simplesmente acrescentar cada vez mais funcionários às escolas —principal estratégia usada pelos Estados Unidos, em particular, há muito tempo para tentar elevar as pontuações.

O avanço do Reino Unido nos rankings merece mais atenção do que recebeu. A partir de cerca de 15 anos atrás, sob um governo de coalizão liderado pelos conservadores, os reformadores escolares da Inglaterra —de longe o maior dos quatro sistemas educacionais distintos do país— seguiram uma direção diferente da adotada pela maior parte do mundo.

O país tornou seus currículos mais carregados de conteúdos factuais, ou, como alguns preferem dizer, “ricos em conhecimento”, justamente quando autoridades de outros lugares se dedicavam a falar sobre a importância de desenvolver habilidades socioemocionais vagas. A Inglaterra tornou os exames mais rigorosos, reduziu a importância dos trabalhos escolares, nos quais é mais fácil colar, e endureceu as inspeções.

Os políticos também procuraram afastar as escolas de métodos de ensino inovadores que são populares, mas não foram comprovados, e aproximá-las de métodos mais tradicionais e consolidados.

Que as políticas inglesas tiveram algum efeito protetor sobre o desempenho escolar fica mais evidente quando se compara o país com sistemas educacionais vizinhos que escolheram um caminho bastante diferente. Há 20 anos, as crianças da Escócia tinham desempenho superior ao de seus colegas ao sul da fronteira. Agora, tendem a apresentar resultados piores —apesar de os gastos por aluno serem muito maiores.

Os críticos da Escócia atribuem parte do problema a um currículo da moda, além de uma abordagem mais permissiva em relação à disciplina. A Covid ou as telas não explicam a disparidade, já que esses problemas afetaram todas as crianças britânicas de maneira relativamente semelhante.

As notas dos testes não definem uma pessoa, nem são uma prova de que alguém está destinado ao fracasso ou ao sucesso. Mas bons resultados estão fortemente associados a salários maiores, melhor saúde e vidas mais longas, entre uma série de outros benefícios.

No nível nacional, melhorias na capacidade cognitiva de um país acompanham de perto seu crescimento econômico posterior. Uma análise conclui que um aumento de 25 pontos nas pontuações do Pisa poderia elevar o crescimento anual do PIB dos países ricos em meio ponto percentual.

Ainda não há muitas evidências de que a inteligência artificial vá reduzir os retornos de uma educação de alta qualidade, mas há muitos motivos para pensar que a tecnologia fará estragos entre aqueles que possuem poucas habilidades. É hora de os reformadores da educação voltarem aos livros.



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