Paulinho da Viola e Bethânia se encontram em raro show – 08/08/2026 – Ilustrada
Quem fosse aos shows do primeiro dia do festival Doce Maravilha, neste sábado, dia 8, no Jockey Club Brasileiro, na zona sul do Rio de Janeiro, mal saberia dizer que aquele deveria ser, na verdade, o segundo dia do evento.
Os shows previstos para sexta-feira, dia 7, foram cancelados devido a um aviso emergencial da prefeitura, atenta à intensificação de ventos vindos do sul do país. Os shows de Fresno, de Raimundos, que recebeu Charlie Brown Jr., e de Dibob foram cancelados pela organização.
O sábado, com programação encabeçada pelo encontro de Paulinho da Viola e Maria Bethânia, começou com apresentações de Amanda Magalhães e de Chico Chico com Juliana Linhares, em show revisitando a obra de Belchior. Na sequência, na primeira apresentação que lotou o palco principal do festival, o Cortejo Afro celebrou a Bahia com Luedji Luna e a ministra da Cultura Margareth Menezes como convidadas.
Ativo desde 1998, o Cortejo Afro é ligado ao terreiro de candomblé Ilê Axé Oyá. O grupo mesclou interpretações, em que a percussão era protagonista, a sucessos do Olodum, como “Faraó, Divindade do Egito”, puxada durante a participação de Menezes.
Antes do show principal, Leci Brandão encheu o segundo palco do festival para a primeira apresentação depois do cair da noite. Convidando Rappin’ Hood, com quem gravou “Sou Negrão”, Leci fez uma saudação ao rap, exaltando sua representatividade popular na música brasileira. O palco se esvaziou antes do fim do show, movimento que indicou um público mais animado para ver Paulinho e Bethânia.
O encontro entre os artistas aconteceu mais de 50 anos depois da única turnê que fizeram juntos.
Com sua elegância simples, Paulinho saudou a herança do samba, acompanhado de seu cavaquinho, viola e mais oito músicos, e homenageou a memória de bambas como Paulo da Portela, Jovelina Pérola Negra, Martinho da Vila, Candeia e Zé Keti, projetados no telão junto a outros grandes nomes do samba brasileiro.
Foi no mesmo telão que pipocaram trechos do documentário “Saravah”, de 1969, em que um Paulinho de 26 anos toca num barzinho com a jovem Bethânia. É outro dos raros encontros dos os dois.
“São duas escolas diferentes”, explica o jovem Paulinho , ao ator e compositor francês Pierre Barouh, no documentário. A fala marca uma distância pontuada pelo próprio artista entre ele e Bethânia.
No repertório inicial, Paulinho da Viola passou por faixas como “Argumento”, “Pecado Capital”, “Coração Imprudente”, “Coração Errante” e “Coisas do Mundo, Minha Nega”.
“Canção Para Maria” prenunciou a entrada de Maria Bethânia, com uma silhueta da cantora baiana no telão. Motivo de êxtase, ela embalou o público com “Falsa Baiana”, canção de Geraldo Pereira composta nos anos 1940.
A interseção dos trabalhos de Paulinho da Viola e Bethânia, apesar de nunca ter rendido uma gravação inédita com participação de um ou de outro, foi materializada em duas gravações de Bethânia sobre composições de Paulinho da Viola num de seus álbuns de clima mais sombrio, “A Cena Muda”, de 1974, com as faixas “Sinal Fechado” e “Num Samba Curto”.
A apresentação seguiu entre os dois artistas com um público mais animado e solto pelo momento e pelos sucessos, embalada por “Desde que o Samba É Samba”, de Caetano Veloso e Gilberto Gil, “As Canções Que Você Fez Para Mim” e “Reconvexo”.
A participação de Bethânia no show chegou ao fim com a faixa “Foi um Rio que Passou em Minha Vida”. Ela deixou o palco ovacionada. Antes de se despedir, Paulinho da Viola cantou “Timoneiro” e admitiu sua emoção com o reencontro para o público.
O festival continua no domingo com shows como Falamansa, que recebe Ruan Vitor Vaqueirinho, Os Paralamas do Sucesso e Caetano Veloso, que recebe Emicida.





