
As lágrimas de Oscar estão entre os seus legados. Homem chora. Chora quando ganha e chora quando perde. Homem pode se mostrar vulnerável. Pode mostrar tristeza nas derrotas doloridas. A raiva e a violência não são necessariamente os sentimentos que prevalecem quando perdemos. E viver é perder. Perdemos pessoas que amamos, perdemos colágeno, perdemos o bom funcionamento das articulações, perdemos amigos e amigas, perdemos amores, perdemos cabelo, perdemos relacionamentos, casas, cidades, memória. Até que um dia perdemos nossas próprias vidas.
A arte de perder, um dos poemas mais belos já escritos. É de Elizabeth Bishop. A arte de perder, ela disse, não é nenhum mistério dado que ela é a essência de nossas existências e por ela todas e todos seremos obrigados e obrigadas a passar.
Mas, aos meninos, é ensinado que chorar não pode porque a tristeza não deve ser revelada: é sinal de fraqueza. E fraqueza, vejam, seria uma característica feminina. Não é verdade, claro. Mas um sistema de dominação só pode prevalecer se for capaz de fabricar consensos. Esse é um deles. Homens não choram.




