Milhares participam da Marcha do Orgulho em Buenos Aires na véspera da visita papal
“Orgulho no poder, ódio pro caralho”, dizia um enorme cartaz levado por manifestantes em uma colorida procissão de carros alegóricos, na qual predominaram palavras de ordem pedindo “mais amor e menos ódio”.
“Ninguém pode dizer como você deve viver sua sexualidade, dizemos chega a tanta intolerância, nos marginalizam, nos maltratam, nos odeiam e nós respondemos com amor, com projetos, com família e com esta festa”, disse à AFP Jesica Pintos, anestesista de 51 anos, que foi “comemorar a liberdade” com sua esposa, Luciana Burgos, e o filho de 5 anos do casal.
Durante 2025, foram notificados 227 casos de crimes de ódio, entendidos como ataques e agressões motivados por discriminação pela orientação sexual. Oitenta deles terminaram em homicídios, um pico desde o início da série, em 2016, segundo o Observatório Nacional de Crimes de Ódio LGBT+. O grupo mais afetado são as mulheres transgênero, de acordo com o último relatório publicado.
A visita de Leão XIV esteve presente em muitas das fantasias deste ano, com alegorias religiosas. Nos mastros da cidade, bandeiras papais apareceram lado a lado de leques multicoloridos usados pelos manifestantes.
“Honestamente, para mim não significa muito porque não sou muito religioso”, disse à AFP Brandon González, de 27 anos, sobre a visita do papa. No entanto, ele lembrou que o falecido papa Francisco “era bastante empático com a comunidade LGBT+”.
A visita de Leão XIV “pode ser uma grande oportunidade para que vários de nós (…) consigamos algum tipo de conexão e possamos dizer: ‘Bom, não é tão ruim’. Ao ficar sabendo da marcha, que ele nos dedique algumas palavras e um pouco de interesse”, disse.





