Maior arranha-céu de SP tem obra concluída; veja imagens – 12/07/2026 – Cotidiano
A própria fachada espelhada da Torre Alto das Nações expõe a diferença ao refletir parte dos prédios da vizinhança, bem menores do que os 219 m do novo arranha-céu mais alto de São Paulo. O edifício teve a conclusão da obra atestada em 30 de junho, com “habite-se” emitido pela prefeitura.
Primeiro a ultrapassar a marca dos 200 m na cidade, o recordista está localizado na avenida Nações Unidas, no eixo corporativo da marginal Pinheiros e da avenida Doutor Chucri Zaidan, no distrito Santo Amaro, zona sul. Tem quase 50 m a mais do prédio que ocupa o segundo lugar, o Platina 220, de 171,7 m, no Tatuapé, região leste.
Embora com certificado de conclusão, a torre continua em acabamento. A data de finalização dos trabalhos não foi divulgada pela WTorre. A incorporadora da obra foi procurada pela Folha diversas vezes ao longo da semana.
A torre faz parte do complexo Paseo Alto das Nações, cuja primeira fase foi concluída em novembro de 2022, com supermercado, lojas, restaurantes e torre de uso misto. O prédio corporativo e a praça de convivência serão inaugurados neste semestre, enquanto o edifício residencial e o teatro ficarão para a próxima etapa.
O arranha-céu tem 39 pavimentos de lajes para escritórios, quatro “sobressolos” de garagem, térreo (com pé direito de 8,5 m) e mirante. Desse modo, há diferentes leituras sobre o total de andares.
Com obra iniciada em 2024, atingiu a altura máxima em setembro de 2025. Está localizado no terreno onde havia o primeiro supermercado Carrefour do Brasil, que integra a empreitada.
Em nota, o Carrefour Property respondeu que a conclusão da torre é um marco para o empreendimento. Também apontou ter iniciado a estratégia de comercialização e conversas com interessados em parte dos espaços. “A expectativa é positiva diante do potencial da região”, afirmaram.
A maior parte das lajes pertence à Altre, subsidiária do grupo Votorantim e que recentemente lançou site para anunciar a locação de parte dos escritórios. A expectativa é que cerca de 10 mil pessoas circulem pelo prédio diariamente.
Para o público em geral, a atração será o mirante com vista 360º e uma “caixa de vidro” suspensa, que se projeta para fora, como um cubo transparente. Remete a pontos turísticos populares internacionais, como em Chicago, e nacionais, a exemplo do Sampa Sky, no centro paulistano.
Maior prédio de escritórios do Brasil; proposta arquitetônica e engenharia
O Alto das Nações também se torna o maior prédio de escritórios do país. O edifício ultrapassa o Órion Complex, de Goiânia, que tem 191 m.
No ranking geral, ocupa a sexta posição, atrás de cinco residenciais de Balneário Camboriú, no litoral de Santa Catarina, principal polo de arranha-céus no Brasil. O recordista é a torre 2 do Yachthouse by Pininfarina, com 294,1 m.
Autor do projeto, o arquiteto Jonas Birger costuma contemplar a criação quando pedala na ciclovia do rio Pinheiros e diz que já a considera um marco na paisagem. “Conforme está o céu, a cor fica diferente, sempre muito suave”, define.
Ele buscou diferentes ângulos marcados e formas retas para evitar que o resultado fosse um “bloco muito maciço e desumano”. Há ainda uma linha vertical formada por terraços distribuídos nos pavimentos de escritórios.
O arquiteto lembra que construções verticais historicamente funcionam também como símbolos de riqueza. Exemplos são as cidades de San Gimignano e Bolonha, na Itália, em que famílias ergueram grandes torres no período medieval para demonstrar poder e influência.
“Desde os primórdios da humanidade, a gente quer subir, quer ir para o alto”, afirmou. “A torre mostra a importância.”
Ele explicou que a decisão por “pele de vidro” ocorreu porque seria difícil a manutenção de uma fachada com outro tipo de revestimento, diante das dificuldades de acesso e exposição a intempéries. Ainda destacou que esse material permitiu que os escritórios tivessem vista livre, do piso ao teto.
Além disso, o projeto tem duas jardineiras na fachada, onde estão plantas de raízes resistentes ao vento. Essa vegetação forma “linhas verdes”. São uma “brincadeira”, descreve o arquiteto.
Por causa da altura, um estudo de impacto dos ventos foi avaliado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Isso levou a uma estrutura com leve “flexibilidade”, como é comum nesse tipo de construção, para que não seja “rígida” demais e sofra impacto com as ventanias.
São Paulo vive onda de arranha-céus
Prédios dos anos 1940 a 1960 no centro paulistano foram os líderes de altura em São Paulo por décadas, com o Mirante do Vale (Palácio W. Zarzur) detentor do recorde por cerca de 55 anos. A virada ocorreu com a transformação do Tatuapé em polo de arranha-céus: em 2021, com o mais alto residencial da cidade, o Figueira Altos do Tatuapé, e, em 2022, com o Platina 220.
Aos poucos, porém, as marcas são batidas na marginal Pinheiros. Isso porque, além do Alto das Nações, o Utopia PG Residences deve alcançar 173,8 m em 2027, de modo a levar o recorde de maior residencial para o complexo Parque Global, em frente ao Paseo Alto das Nações.
Essa região da marginal é parte da chamada operação urbana Água Espraiada, que permite verticalização mais acentuada, por ser “continuação” da operação urbana Faria Lima. Também é ligada aos diversos edifícios corporativos da Chucri Zaidan.
Nos próximos anos, o ranking dos arranha-céus paulistanos terá mais mudanças. Uma característica será a dispersão por outros territórios valorizados, porém com a continuidade do Alto das Nações no primeiro lugar.
Entre eles, um dos principais será o Epic Jardim Europa, que se tornará o maior residencial, com 210 m, na avenida Rebouças, na zona oeste. Já as torres Veneza e Milano do Vista Cyrela terão 206 m, nas proximidades do Jockey Club, no distrito Morumbi.
Por outro lado, salvo essas exceções, a grande maioria dos novos prédios paulistanos não é formada por arranha-céus e tem altura inferior a 150 m. A onda de verticalização dos últimos anos não é unanimidade na cidade, com uma parte dos críticos apontando possíveis impactos no cotidiano do entorno.
Em uma comparação internacional, os paulistas não se encaixam nas categorias de “superalto” ou “mega-alto”, voltadas àqueles com ao menos 300 m e 600 m, respectivamente. O recordista mundial é o Burj Khalifa, em Dubai, com 828 m, mas há obra na Arábia Saudita de prédio que almeja chegar a 1 km.





