Lula liga ao vivo para Dino e é questionado por Flávio – 30/09/2026 – Política
O presidente Lula (PT) ligou para o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Flávio Dino nesta terça-feira (29), durante evento do governo federal em Belém, antes de sancionar um projeto de lei. O momento foi transmitido ao vivo, mas Dino não foi ouvido no ato.
A ligação repercutiu e gerou críticas de Flávio Bolsonaro (PL), adversário do petista na corrida ao Palácio do Planalto. O senador perguntou se o magistrado segue subordinado ao presidente por ter sido ministro da Justiça de 2023 a 2024.
Lula telefonou para Dino durante uma visita ao Hospital João de Deus, na capital paraense. O presidente sancionou um projeto que o ministro apresentou quando era senador.
O texto cria uma estratégia nacional de controle e avaliação da qualidade da assistência à saúde prestada pela iniciativa privada, estendida à rede pública. Quem não cumprir as regras pode receber multas entre R$ 5.000 e R$ 500 mil.
O então congressista protocolou a proposta após a morte do filho de 13 anos, em 2012, em decorrência de um quadro de asma. A família entrou na Justiça contra o Hospital Santa Lúcia, em Brasília, por suposta negligência médica.
“Ô, Flávio [Dino], deixa eu lhe falar uma coisa. Eu estou aqui em Belém, vou sancionar a lei da dor de um pai, o projeto de lei que você fez e foi aprovado por conta da morte do seu filho de 13 anos”, disse Lula. “Então, estou te ligando. Estou ao vivo aqui. Eu não queria sancionar sem falar com você”, acrescentou.
Não foi possível ouvir a resposta de Dino. Lula queria transmitir a resposta, mas depois deixou isso de lado.
Flávio Bolsonaro questionou, em post nas redes sociais, se Dino é subordinado do petista no Supremo. “Lula ligou para Flávio Dino como se fosse um político subordinado de seu governo. Será que Dino continua sendo subordinado do Lula no STF?”, escreveu o senador no X (ex-Twitter).
Lula indicou Dino à Suprema Corte brasileira em 2023. Antes, foi deputado federal, governador do Maranhão e senador.
No ano passado, ele fez uma homenagem ao filho no Instagram, com a imagem de um peixinho, apelido do garoto. Também informou que doaria o valor da indenização, de R$ 1,2 milhão. O ministro entrou na Justiça e venceu ação sobre o caso após 13 anos.
“O que a gente está fazendo agora é o seguinte, a gente está dizendo que, nesse país, as pessoas serão tratadas com dignidade, independente do berço em que nasceram, do hospital em que nasceram. Se nasceu de parteiro ou nasceu em um hospital mais rico, as pessoas vão ser tratadas do mesmo jeito”, apontou Lula.





