Lula e Flávio reforçam campanha por voto útil no 1º turno - 18/09/2026 - Política - FlaNotícias

Lula e Flávio reforçam campanha por voto útil no 1º turno – 18/09/2026 – Política


Os comitês eleitorais do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) vão intensificar a campanha pelo chamado voto útil nessa reta final antes do primeiro turno das eleições. Em um cenário de empate técnico entre os principais adversários, o objetivo é liquidar a fatura em 4 de outubro.

Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (17) mostra Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, ante 36% de Flávio. Na simulação de segundo turno, Lula continua com 46% e Flávio, com 44%, empatados tecnicamente na margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou menos.

O sucesso da estratégia do voto útil depende de que eleitores de candidatos com menor percentual nas pesquisas sejam convencidos a migrar seus votos a partir da percepção de derrota do nome de sua preferência.

Na mira de Flávio, estão Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo), que, juntos, aparecem com 15% das intenções de voto.

Terceiro colocado na pesquisa desta quinta, com 6% das intenções de voto, Cury também é alvo de Lula, já que uma parte do eleitorado do escritor admite votar no petista no segundo turno.

O desafio da coordenação das campanhas de Lula e Flávio consiste em convencer esse eleitor da iminência de vitória de seus candidatos para que mudem seu voto no primeiro turno. Esse movimento tem de ser feito sem melindrar os adversários dos quais se espera apoio em um segundo turno, avaliam aliados de ambos.

Neste cenário, Lula teria menos espaço de ampliação já que os adversários estão posicionados à direita do presidente. Para vencer, Lula precisa conquistar o eleitor indeciso, que hoje representa 3%, segundo a pesquisa.

Além de provar que seu candidato é quem vai ganhar a eleição, os estrategistas dizem ser preciso investir na rejeição do opositor. Integrantes das duas chapas afirmam que Lula aparece na frente de Flávio quando o eleitor é perguntado sobre qual candidato vai ganhar as eleições, o chamado “sentimento de vitória”.

Por isso, Flávio quer reforçar a sensação de que Lula estaria desesperado com a possibilidade de perder para ele no primeiro turno das eleições. Um novo jingle da campanha do PL diz que “virou, virou, virou, virou” e que “o Brasil agora é Flávio”.

Nos últimos dias, o senador colocou um recado para os contatos dele no WhatsApp em que dizia “Vamos resolver no 1º turno”. No Instagram, foram ao ar publicações com frases como “Não deixe para o 2º turno o que você pode fazer no 1º”.

Durante transmissão ao vivo nas redes sociais nesta quinta, Flávio fez um apelo aos brasileiros que pretendem votar no primeiro turno em candidatos “concorrentes”, que também fazem “oposição ao Lula”.

“Eu quero fazer um apelo aqui aos brasileiros que não me têm como primeira opção para presidente da República, que preferem votar em outro candidato. […] Considere votar em Flávio Bolsonaro já no primeiro turno para a gente resolver essa parada logo no primeiro turno”, disse.

Aliados de Lula comemoraram a estabilidade dos resultados da última pesquisa Datafolha. Os resultados foram próximos aos da semana passada, com a diferença do avanço de 1 ponto percentual de Flávio no 1º turno.

A equipe de Lula dá ênfase ao fato de o petista continuar na dianteira das intenções de voto e compartilha da percepção de que a crise do STF (Supremo Tribunal Federal) não impactou o cenário.

“Mesmo diante de uma semana turbulenta, seguimos firmes, na liderança, com esperança e disposição para continuar avançando por um Brasil com mais oportunidades, dignidade e justiça social”, diz o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT).

“É hora de ampliar nossa mobilização nas redes e nas ruas, fortalecer nossa caminhada e trabalhar para derrotar o bolsonarismo ainda no primeiro turno. O Brasil está pronto para mais”, afirmou ainda.

Demais aliados também afirmam que este momento final deve ser de intensificação da militância. Integrantes da campanha receberam orientação específica do coordenador Edinho Silva para que reforcem as propostas de governo de Lula nesta reta final.

Para o coordenador da campanha em São Paulo, Marco Aurélio de Carvalho, a oscilação de Flávio já mostra a migração do eleitorado de Cury a Flávio, grupo ao qual chama de “bolsonaristas envergonhados”.

O advogado reforça que o atual momento deve ser voltado a comparar projetos de governo e sugerir que o rival é uma versão piorada do pai, Jair Bolsonaro. “Flávio não tem estatura moral, competência para presidir o país e consegue ser mais bandido do que o pai”, afirma.

“O Datafolha mostra um cenário congelado e de enorme estabilidade. Mas com o presidente Lula liderando todos os cenários”, diz o secretário de comunicação do PT, Éden Valadares. “Entendemos que há espaço para crescimento de Lula, pois no cenário espontâneo 21% continuam indecisos e um percentual acima dos 40% admite a possibilidade de mudar a intenção de voto.”

Já na avaliação de uma ala do centrão, Flávio voltou a ser o favorito na corrida presidencial diante da crise institucional. Esse mesmo grupo via o senador como favorito no início deste ano e reconheceu sua derrocada após a explosão do caso “Dark Horse”, em maio.

Para essa ala, a volta da crise institucional do STF sobre o banco Master prejudica Lula. O mesmo grupo, porém, aponta um cenário de alta volatilidade, com chances de o petista recuperar pontos diante das bondades eleitorais preparadas pelo Planalto. O presidente anunciou nesta quinta um aumento no Bolsa Família e prepara novas medidas, como um novo programa de renegociação de dívidas.

Por outro lado, um líder do centrão afirma que Flávio Bolsonaro pode crescer com o voto útil, uma vez que os demais candidatos de direita somam 15% de intenção de voto no primeiro turno. Nesse sentido, o centrão continuará jogando parado e só retomará conversas para eventuais apoios após o 1º turno, no mínimo.

Na semana passada, quando foram divulgadas as informações sobre desempenho dos candidatos após a revelação das mensagens, os dois lados afirmavam que o levantamento ainda não havia refletido completamente os impactos da crise no Supremo e das novas informações do caso Master.

Ainda de acordo com a pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta, considerando os votos válidos, que excluem a votação em branco no dia do pleito (e que são usados para já definir o resultado se o vitorioso tiver ao menos 50% mais um), Lula hoje tem 43%, Flávio, 39% e os demais candidatos, 16%.



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