Lucas Ferraz diz que Brasil ‘dormiu no ponto’
Para o ex-secretário, o governo brasileiro tenta expor aos americanos os “malefícios” de tarifas, mas o Brasil também mantém alíquotas altas em setores como automóveis e máquinas. Ele disse que isso pesa na relação bilateral.
O governo brasileiro vai numa linha muito interessante de expor ao governo americano os malefícios causados por tarifa, seja a questão da disrupção de cadeias de suprimentos internacionais, de criação de ineficiências operacionais na indústria americana e, em última instância, prejudicando o próprio consumidor. Mas o nosso país também é muito pródigo em impor tarifas.
Lucas Ferraz
Ferraz afirmou ser “cético” quanto à hipótese de os EUA desistirem de aplicar as tarifas. Segundo ele, além dos 25% discutidos, há uma segunda investigação que poderia elevar a carga total, atingindo parte relevante das exportações brasileiras ao mercado americano.
Confesso que sou um tanto cético em relação à possibilidade dos Estados Unidos simplesmente desistirem de aplicar essas tarifas, tanto da primeira investigação de 25%, quanto da segunda investigação que adicionaria mais 12,5%, totalizando 37,5%.
Lucas Ferraz
Ao comentar o argumento do governo Lula de que a tarifa média cobrada sobre produtos americanos seria de 2,7%, ele disse que o número “não é falso”, mas “distorcido” por refletir o que de fato é importado. Para Ferraz, a média simples mostraria uma tarifa maior.
Esse dado de 2,7% não é um dado falso, ele é um dado distorcido, porque você considera a chamada tarifa efetiva, que é a arrecadação das tarifas sobre o valor importado. Quando você cobra tarifas muito altas, por exemplo, sobre automóvel, que é 35%, a tendência é que você não compre nada que tem tarifa muito alta dos Estados Unidos. Se a gente olhar a média simples, a nossa média tarifária em relação aos produtos americanos está acima de 12%.
Lucas Ferraz





