Lojas Americanas: operação saiu ‘da UTI para o quarto’ – 12/08/2026 – Economia
A Americanas S.A. divulgou nesta quarta-feira (12) os resultados do primeiro semestre de 2026, com receita bruta de R$ 7,2 bilhões nas operações de lojas físicas e nas vendas iniciadas digitalmente e concluídas com retirada em loja física, alta de 5,2% ante o mesmo período de 2025, mas com prejuízo total de R$ 603 milhões, alta de 1,5%.
No segundo trimestre, o prejuízo foi de R$ 274 milhões, 179,6% maior do que no mesmo período de 2025. Segundo a empresa, pesou no resultado o fato de a Páscoa em 2026 ter caído no começo de abril, antecipando para o primeiro trimestre as compras de chocolates —produtos emblemáticos para as lojas.
“Houve uma melhora operacional na ordem de R$ 251 milhões da companhia no semestre. E essa melhora é em cima de um avanço do ano passado que também foi na ordem de R$ 240 milhões. Entendemos como um recado muito importante para o mercado”, diz o CEO da Americanas, Fernando Soares.
A empresa entrou em recuperação judicial (RJ) em janeiro de 2023, com dívidas da ordem de R$ 43 bilhões, após vir à tona um rombo contábil de R$ 25,3 bilhões.
Em março, a varejista solicitou a saída do processo. Segundo a empresa, o balanço vem acompanhado de pareceres favoráveis do Ministério Público e do administrador judicial para o encerramento da recuperação judicial.
“Eu acho que a gente teve um tempo de UTI, depois fomos para o quarto do hospital, agora a gente teve alta e estamos decidindo como é que a gente vai treinar, que tênis vamos comprar para correr. E se prepara para isso”, diz Soares, acrescentando que agora a varejista tem condições de falar sobre o futuro.
O indicador de vendas nas mesmas lojas cresceu 9,3% no acumulado do semestre em relação ao mesmo período de 2025.
A receita bruta de lojas físicas e vendas iniciadas digitalmente e concluídas com retirada em loja física avançou 5,2% na comparação anual, impulsionada por eventos sazonais como Páscoa, Copa do Mundo e vendas de produtos de inverno, que tiveram expansão superior a 35% no período.
De acordo com Soares, a Americanas tem repaginado lojas emblemáticas da marca, como a da rua Visconde Pirajá, 526-A, em Ipanema, reformulada com os conceitos de maior sortimento e mais espaço entre gôndolas.
“Essa loja já mostra o sortimento e novidades que estamos testando como, por exemplo, maquiagem em loja. Então a gente vai fazer muito teste de sortimento neste segundo semestre para fazer uma virada completa de experiência em loja já programada para o ano que vem.”
A receita bruta por metro quadrado subiu 10,3% no semestre, com destaque para categorias de alto giro durante a Copa do Mundo —as vendas de biscoitos e salgadinhos e de bebidas cresceram, respectivamente, 13% e 29% no segundo trimestre—, além da comercialização de mais de 12 milhões de pacotes de figurinhas.
Segundo a empresa, o volume de 92 milhões de visitas mensais às lojas, ao site e ao aplicativo contribuiu para o crescimento de 15% na base de clientes identificados. Também ajudou a bater recordes na emissão de cartões, com avanço de 35% na receita bruta de serviços.
O gasto médio dos participantes do programa de fidelidade foi 2,9 vezes superior ao de clientes não cadastrados.
O executivo afirma que a varejista seguirá a estratégia de priorizar o varejo físico com suporte digital, com foco em cinco categorias principais: moda conforto, guloseimas, brinquedos, cuidados com a casa, e higiene e beleza.
“Dos 50 milhões de consumidores que não tínhamos identificados, agora sabemos quem são 60%, conhecemos os hábitos de compra. Além disso, o digital, que antes era uma empresa totalmente apartada, agora serve às lojas. Na Páscoa, 10% das vendas já foram no digital para retirar em loja”, afirma.





