Juro alto bate no comércio, mas atividades sentem efeitos de forma desigual
Cenário abre margem para corte da taxa Selic nesta quarta-feira (16). As expectativas do mercado financeiro apontam para o quinto corte seguido de 0,25 ponto percentual dos juros básicos, de 14% para 13,75% ao ano. A desaceleração do comércio surge como um novo estímulo para o veredito do Copom (Comitê de Política Monetária). “Essa perda de fôlego da economia entra na conta do Copom para a decisão”, avalia Claudia Moreno, economista do C6 Bank.
O resultado das vendas no varejo reforça a tendência mostrada pelos últimos indicadores de atividade divulgados, de desaceleração em um ritmo mais forte do que o previsto. Esse cenário abre espaço para o Copom justificar um corte de 0,25 ponto percentual da taxa Selic. Sara Paixão, analista da InvestSmart XP
Um corte na Selic ajuda, mas ainda é insuficiente para mudar rapidamente esse quadro, porque o crédito continua caro e a transmissão da política monetária ocorre com defasagem. Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos
Efeito diverso entre as atividades
A pisada de freio do comércio não é acompanhada por todos os segmentos. Em julho, a queda foi acompanhada pelo desempenho negativo de cinco das oito atividades pesquisadas. As perdas partiram dos ramos de móveis e eletrodomésticos (-4,9%), livros, jornais, revistas e papelaria (-4,2%), tecidos, vestuário e calçados (-2,7%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (-2,2%) e hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (-0,2%).
Setor ainda mantém alta na comparação com o mesmo mês do ano passado. Na comparação com julho de 2025, as vendas do varejo também desaceleraram ao crescer 1,2%, ante alta de 2,8% apurada em junho. A variação ocorreu mesmo com perdas das atividades de tecidos, vestuário e calçados (-4,7%), eletrodomésticos (-3,6%), móveis (-2,7%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (-2,3%), material de construção (-2%), livros, jornais, revistas e papelaria (-1,7%) e combustíveis e lubrificantes (-0,5%).





