IA recomenda aplicação financeira e 9% de brasileiros já usam para investir
Na Rubik Capital, o gestor Gregório Nissel conta que a instituição desenvolveu um gerador de IPS (Investment Policy Statement). Trata-se de um documento de mais de 50 páginas que formaliza objetivos e perfil de risco de cada cliente, antes restrito a grandes fortunas. Graças à IA, este modelo se tornou economicamente mais viável e acessível a um maior número de clientes da gestora.
Os ganhos são claros: velocidade, padronização de qualidade e personalização em uma escala que, antes, seria inviável para uma casa independente do nosso porte.
Gregório Nissel, gestor da Rubik Capital
Com o maior uso de IA pelos investidores, as instituições financeiras colhem benefícios da automação de ferramentas, mas enfrentam nova pressão de atendimento ao cliente. Arthur Müller, sócio da Cordier Investimentos, escritório ligado ao BTG Pactual, sintetiza uma nova problemática. “Não basta colocar um chatbot bonitinho e chamar de atendimento personalizado. Quem usa IA só como vitrine vai ser desmascarado rápido, porque o cliente do outro lado também está usando IA”, observa.
Para Müller, a IA é excelente para processar volume de informação e identificar padrões, mas costuma ser péssima conselheira em momentos de estresse de mercado. “Quando o cliente está com medo e a decisão tem peso emocional, é o profissional certificado que faz a diferença”, diz. Na Barsi Investimentos, o desenvolvedor Hierro Malaquias aponta o maior risco para o investidor iniciante. “Um efeito colateral do uso de IA é se apoiar excessivamente na automatização, deixando de lado o desenvolvimento da própria disciplina, conhecimento técnico e inteligência emocional”, diz.
O desafio de democratização
A maioria dos especialistas consultados entende que IA tem potencial real de democratizar o acesso à informação financeira no Brasil, mas não substitui educação, senso crítico nem aconselhamento profissional regulado. O maior desafio é incluir as classes sociais D e E no uso de IA para investimentos e finanças, além do público mais idoso.





