IA faz você pagar mais por celular
O que acontece é que está tendo um novo redesenho do mundo da tecnologia impulsionado pela iA. Esses equipamentos eletrônicos dependem de semicondutores e processadores. E tem um semicondutor muito importante, a memória, que está passando por um aumento muito grande de demanda, porque a galera está na vida louca de inteligência artificial, fazendo data center a rodo. A gente fala muito de GPUs, mas outro semicondutor importante é a memória. Esses grandes modelos demandam cada vez mais um tipo específico e mais rápido de memória. As grandes empresas de memória fizeram um shift na produção e passaram a dedicar esforço maior para produzir esses chips para IA. Aí entra a lei do mercado: oferta e demanda. Se você tem menos oferta e a demanda se mantém ou aumenta, os preços sobem.
Diogo Cortiz
A Apple já aumentou os preços de MacBook e iPad e que o iPhone deve entrar na mesma onda. O Xbox, da Microsoft, é outro exemplo de eletrônico afetado por essa pressão de custos.
Estima-se que o iPhone pode ter um acréscimo de até US$ 200. Então a ideia é: ou troque agora ou vai guardando dinheiro e saiba que vai pagar mais caro.
Diogo Cortiz
A vida não está fácil nem para as empresas que estão ganhando rios de dinheiro com isso. As três líderes na fabricação de memória são as sul-coreanas SK Hynix e Samsung e a americana Micron. No caso da Samsung, o lucro disparou 18 vezes, mas as ações caíram 8% com o medo de uma freada na demanda.
A alta nos chips de memória tende a durar e deve mudar o tipo de aparelho que chega às prateleiras, diz Helton Simões Gomes. A lógica, diz, é simples: com componente caro e escasso, as fabricantes preferem colocá-lo em produtos com margem maior.
Não tem perspectiva de melhora do preço dos chips de memória, porque toda a indústria está se voltando a produzir esses semicondutores para os data centers de inteligência artificial, porque é mais lucrativo. Isso tem consequências para os preços de celulares daqui pra frente. O celular baratinho, os de entrada, estão com os dias contados: uma fabricante, tendo que comprar um semicondutor tão caro, vai preferir colocar ele num aparelho com margem maior, sejam os intermediários ou os premium, e não nos celulares mais baratinhos. Outro que está na linha de tiro é o computador de entrada também. A gente até comentou que tem uma data para esses aparelhos acabarem, e era 2028.
Helton Simões Gomes
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