Hermès vê queda nas vendas de moda e acessórios - 22/10/2026 - Negócios - FlaNotícias
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Hermès vê queda nas vendas de moda e acessórios – 22/10/2026 – Negócios



Paris

|Financial Times
A Hermès atribuiu a um cenário econômico “desafiador” em mercados importantes, como China e Oriente Médio, a queda nas vendas de roupas prontas e acessórios da marca francesa de luxo.

O grupo francês informou que as vendas totais nos três meses encerrados no fim de setembro cresceram 4,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, a taxas de câmbio constantes, para 4,1 bilhões de euros (R$ 23,24 bilhões). O resultado ficou ligeiramente abaixo da expectativa dos analistas, que projetavam alta de 5,2%.

Placa oval de madeira escura com entalhes decorativos ao redor. No centro, em letras douradas, está escrito 'HERMÈS PARIS' com um símbolo de cavalo e carruagem acima do texto.

Hermès registra queda nas vendas de moda no trimestre

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Abdul Saboor – 29.jul.26/Reuters

As vendas de bolsas e artigos de couro, produtos muito disputados e a maior divisão da empresa, continuaram fortes, com avanço de 10,8% no trimestre. Já a receita de roupas e acessórios, a segunda maior divisão, recuou 2% no período.

“Apesar de um ambiente complexo, a Hermès mantém seu crescimento rentável e segue seu rumo”, afirmou o presidente executivo do grupo, Axel Dumas, em comunicado. A empresa, listada na Bolsa de Paris, reafirmou sua perspectiva de médio prazo de “crescimento da receita a taxas de câmbio constantes”.

As vendas em outubro seguem, até agora, as mesmas tendências, inclusive na China, disse o diretor financeiro, Eric du Halgouët, em conversa com analistas.

Ele afirmou que o desempenho fraco das vendas de roupas prontas no terceiro trimestre “não reflete a tendência geral”, que foi positiva fora da China no período. As primeiras coleções da nova estilista de moda masculina, Grace Wales Bonner, e o lançamento da alta-costura em 2027 devem gerar um “efeito halo” sobre a divisão, acrescentou.

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A Hermès teve desempenho superior ao do setor de luxo durante uma desaceleração de vários anos na demanda por produtos de alto padrão, graças à sua base fiel de clientes ricos. No entanto, sua capacidade de resistir à crise vem sendo testada por um cenário geopolítico instável. Investidores também começaram a questionar a avaliação, antes extremamente elevada, da companhia e a crescente diferença entre a demanda por artigos de couro e a de outras linhas de produtos.

“As vendas de artigos de couro voltaram a acelerar, mas o atraso das outras categorias também se agravou a níveis sem precedentes”, escreveu James Grzinic, analista da Jefferies.

As ações da Hermès caíram quase 6% na abertura do pregão, elevando as perdas acumuladas no ano para 39% e reduzindo o valor de mercado da empresa a 135 bilhões de euros (R$ 762,4 bilhões). Outras marcas de luxo também registram queda em 2026. As ações da LVMH recuaram 39% no ano, enquanto os papéis da Kering, dona da Gucci, perderam 29%. A Richemont, que supera o desempenho do mercado graças à demanda por joias da Cartier e da Van Cleef & Arpels, acumula alta de apenas 1,5%.

A LVMH, líder do setor, informou no início deste mês que suas vendas totais cresceram 1% no terceiro trimestre, prejudicadas pela fraca demanda por seus principais produtos de moda e artigos de couro. O resultado abriu caminho para o que se espera ser uma temporada difícil de balanços para o setor de luxo.

As vendas da Hermès no terceiro trimestre na Europa, excluída a França, aceleraram 9,5% a taxas de câmbio constantes, impulsionadas pelo desempenho acima do esperado de sua loja principal recém-inaugurada na Bond Street, em Londres. As Américas continuaram fortes, com alta de 8,8%, mas a região da Ásia-Pacífico, excluído o Japão, ficou estável devido às condições “desfavoráveis” na China. No Oriente Médio, as vendas caíram 4,5% em razão do conflito em curso entre os Estados Unidos e o Irã.

Executivos disseram que moda, relógios e calçados foram as categorias mais afetadas na China, onde o fluxo de clientes nas lojas diminuiu. Du Halgouët, porém, afirmou que o grupo continua confiante no potencial do país “no médio e no longo prazo”.

A fraqueza de outras divisões também amplia a diferença entre o desempenho dos artigos de couro e o das demais áreas da empresa. Além da queda nas vendas de moda, a divisão menor de relógios recuou 6% no terceiro trimestre, enquanto seda e tecidos cresceram 1,4%, em ritmo mais lento.



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