Gaia realiza emissão de R$ 6 milhões para financiar microcrédito produtivo
“A gente se aprofundou bastante no tema do microcrédito. Neste momento em que as pessoas estão superendividadas, o microcrédito se diferencia por ser destinado a investimento para alavancar negócios e gerar renda. Não é para refinanciar dívida, consumo ou bet. Este é um setor muito importante para a economia e as instituições sofrem há décadas com a falta de recursos para financiar na ponta”, diz Pacífico. “Queremos que essa seja a primeira de muitas operações”.
A Crédito Solidário foi fundada em 1998 em Santo André, na região do Grande ABC, e já financiou 133 mil microempreendedores da Grande São Paulo, dos quais 60% são mulheres e 40% possuem renda de até 1 salário mínimo. Os empréstimos têm um valor médio de R$ 4.500. A expectativa é beneficiar até 1,2 mil empreendedores com a captação.
O investimento mínimo foi de R$ 1 mil e aconteceu por meio da plataforma de investimentos alternativos Altx. A operação terá cinco anos de duração, com rendimento de 16% ao ano para o investidor — acima da Selic e um pouco acima do 100% do CDI. A carência é de 12 meses para o início do pagamento de juros, com o pagamento do principal mais juros a partir do 48º mês.
Essa será a primeira vez que uma instituição de microfinanças irá acessar o mercado de capitais brasileiro. Normalmente, essas instituições captam recursos com bancos públicos ou privados, com base em uma lei de incentivo ao microcrédito produtivo orientado que permite destinar ao segmento até 2% dos recursos do compulsório — que são os depósitos que os bancos são obrigados a deixar no Banco Central. No início, os bancos privados chegaram a estruturar operações próprias, depois terceirizaram para Oscips. Hoje, muitos simplesmente ‘vendem’ o dinheiro para os poucos bancos que oferecem essas linhas, ou preferem deixar o dinheiro parado.
“Uma das dificuldades para acessar o recurso do compulsório é a baixa capacidade que as instituições têm de captar, dado que a análise de crédito dos bancos é baseada no patrimônio das Oscips. Como não somos entidades financeiras, nosso patrimônio é baixo”, diz Fabio Maschio, CEO da Crédito Solidário. Na operação desenhada com a Gaia, a análise se dá no potencial de alavancagem da operação, ou seja, o volume de empreendedores que vão tomar os empréstimos. “A Gaia percebeu nossa capacidade de alcançar mais gente, enquanto outros tipos de financiamento olham apenas a capacidade de devolver o recurso”, diz.
A Crédito Solidário foi fundada em 1998 em Santo André, na região do Grande ABC, e já financiou 133 mil microempreendedores da Grande São Paulo, dos quais 60% são mulheres e 40% possuem renda de até 1 salário mínimo. Os empréstimos têm um valor médio de R$ 4.500 e são oferecidos por agentes de crédito em grupos solidários. Quando um membro do grupo não paga, os demais são solidários, o que cria um incentivo positivo para o pagamento. A inadimplência é de 4%, considerando atrasos entre 30 e 180 dias. A perda efetiva (acima de 180 dias) é de 1%. O crédito não chega pelo aplicativo ou via cartão, mas é oferecido por um agende em carne e osso que circula pelas comunidades em contato constante com os microempreendedores.





