Final tcheca evidencia o sucesso da fábrica de tenistas
Pela terceira vez nos últimos quatro anos, uma jogadora tcheca será campeã de Wimbledon. E depois das conquistas de Marketa Vondrousova em 2023 e Barbora Krejcikova em 2024, o título desta edição será decidido entre Karolina Muchova e Linda Noskova. A primeira final tcheca na história do Grand Slam evidencia do sucesso da fábrica de tenistas no país.
E nos últimos 15 anos, as tchecas conquistaram dois títulos com Petra Kvitova em 2011 e 2014, tiveram a final de Karolina Pliskova em 2021 e as semifinais de Lucie Safarova e Barbora Strycova, que ajudaram a pavimentar o caminho para a formação de novas campeãs.
No atual top 100 do ranking mundial, são dez jogadoras tchecas. Esse número só é menos que as 13 tenistas norte-americanas entre as melhores do mundo. Mas como um país tão pequeno conseguiu se tornar uma potência? A resposta passa por um trabalho forte na base, competição interna desde os clubes e participação ativa de ex-jogadoras.
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As tchecas venceram cinco das últimas sete edições do Mundial de 14 anos, com direito a um tricampeonato consecutivo entre 2022 e 2024. E nos 16 anos, apesar do domínio recente dos Estados Unidos, disputaram quatro finais seguidas entre 2019 e 2023, com direito a um título em 2021. Hoje finalista de Wimbledon como profissional, Noskova foi campeã nos 14 anos em 2018 e vice nos 16 na temporada seguinte.
Se o calendário de competições internacionais do país ainda é pequeno em nível profissional, com dois WTA e quatro eventos no circuito da World Tennis, o calendário juvenil conta com 12 datas. Mas além disso, há uma tradição muito forte nas competições entre os clubes, em que jogadoras de alto nível ou em transição podem treinar juntas e fortalecer o ambiente interno.
E ex-atletas também têm participação ativa. Muitos se lembram de toda a gratidão que Barbora Krejcikova teve pela mentora Jana Novotna, campeã de Wimbledon em 1998, desde os tempos de juvenil. Novotna, que faleceu em 2017 em decorrência de um câncer, não pôde ver a tenista que orientada por ela no início da carreira a vencer dois Grand Slam, inclusive Wimbledon. Cabe também o exemplo de Petra Cetkovska, ex-número 25 do mundo, e que se tornou capitã de equipes juvenis tchecas em competições de base.
Campeãs recentes se tornam referência
Com apenas 21 anos e nascida em novembro de 2004, a finalista Linda Noskova cresceu admirando Petra Kvitova. Ela tinha apenas seis quando Kvitova conquistou o primeiro de seus dois títulos e não escondeu a admiração pela bicampeã e ex-número 2 do mundo, que encerrou a carreira profissional na última temporada, aos 35 anos.
“Fiquei meio atônita por estar na mesma quadra que a Petra Kvitova. Eu sempre a tive como referência desde criança. Na época em que eu ainda não entendia muito de tênis, mas ela era a cara do tênis tcheco”, disse Noskova, durante coletiva de imprensa na última quarta-feira.
“Talvez ela tenha contribuído um pouco para eu começar no tênis. Quando ela ganhou dois títulos de Wimbledon, eu certamente acompanhei. Para mim, ela é uma grande inspiração”, acrescentou. “Eu adoraria seguir os passos dela. Se o resultado for o mesmo, não haveria nada que eu desejasse mais”.
Muchova, de 29 anos e em sua segunda final de Grand Slam, já vem de uma geração intermediária. Profissional desde 2013 e integrante do top 100 desde 2019, a tcheca também valoriza o trabalho feito no país e as referências que teve à disposição.
“Temos uma grande tradição no tênis tcheco. Sem dúvida, o fato de sermos tantas ajuda. Quando eu era mais jovem, eu me inspirava nas meninas que eram uns cinco anos mais velhas do que eu; via o sucesso que elas faziam. Isso me deu a confiança de que eu também poderia conseguir”, avaliou a atual número 9 do mundo.
A grama mudou e os estilos também
Outra mudança significativa nos últimos anos diz respeito à velocidade do piso. A diminuição tem sido notada pelas próprias jogadoras. Se na década passada, o estilo dominante era de jogadoras agressivas e que pegavam a bola na subida para usar golpes mais retos, como os de Kvitova, os resultados recentes têm valorizado outra maneira de jogar. Talvez a última campeã nesse estilo tenha sido Elena Rybakina em 2022.
Tenistas mais consistentes do fundo de quadra, como Iga Swiatek e Barbora Krejcikova, chegaram ao título. E as tenistas que buscam variações também têm sido competitivas contra atletas de maior imposição pela potência nos golpes, com nas conquistas de Ashleigh Barty em 2021, Marketa Vondrousova em 2023, nas duas finais seguidas de Ons Jabeur ou agora com Muchova na final.
Vencedora no ano passado, Swiatek comentou sobre isso no início do torneio. “Acho que a grama mudou. Não é como se apenas as jogadoras que batem reto na bola estivessem vencendo aqui”, explicou a polonesa. “A bola fica mais tempo no ar depois da execução do golpe e não apenas desliza na quadra como era há dez anos. Então há mais espaço para jogadoras sólidas disputarem longos ralis”.
Em ano de Copa do Mundo e com atenções muito voltadas ao futebol, já lemos muitas vezes a frase “a bola não entra por acaso” ao analisar a evolução e o sucesso esportivo em outros países. E isso se aplica também ao tênis. Projetos sólidos e que se adaptam às mudanças e nuances da modalidade têm dado resultado e formado muitas jogadoras. E da quantidade, surgem novas campeãs a cada dia.





