Fala de Lula sobre Paraguai foi infeliz, errônea e desnecessária
Político que improvisa muito, quando pede a palavra, nem sempre a devolve em boas condições. Na semana passada, ao defender a elevação de investimentos nas Forças Armadas, Lula atrasou o relógio até o século 19 para falar sobre a Guerra do Paraguai, maior conflito armado da história da América do Sul. Lero vai, lero vem, disse que o Paraguai “invadiu” o Brasil, o Uruguai e a Argentina. A fala foi infeliz, errônea e desnecessária.
A infelicidade decorre do fato de que Lula remexeu uma ferida aberta. Numa conta conservadora, a historiografia estima as perdas paraguaias entre 150 mil e 300 mil mortos. Para os paraguaios, o Brasil cometeu genocídio na guerra. O erro está na imprecisão, pois o Paraguai jamais invadiu o Uruguai. No episódio que antecedeu a guerra, foi o império do Brasil que invadiu o Uruguai para evitar que o beligerante ditador paraguaio, Solano López, tutelasse aquele país.
Lula soou desnecessário porque produziu uma tensão que, nascida do nada, conduz a lugar nenhum. Serviu apenas para criar uma encrenca diplomática com o Paraguai, num instante em que o Itamaraty administra a intromissão do presidente argentino Javier Milei na eleição brasileira. Com três mandatos nas costas, Lula logo perceberá que só há uma coisa pior do que uma crise: duas crises.





