F1 'muda rumo' do V8 de 2030 e considera solução biturbo - FlaNotícias
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F1 ‘muda rumo’ do V8 de 2030 e considera solução biturbo


O V8 de três litros que a Fórmula 1 planeja para 2030 pode ser bem mais sofisticado do que o esperado. Inicialmente concebido como um motor aspirado, a proposta agora é um propulsor com dois turbocompressores, que comprimiriam o ar antes de enviá-lo aos cilindros. A solução aumentaria o desempenho, mas também os custos e a complexidade da unidade.

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A unidade de potência, que deveria combinar o V8 aspirado com um pequeno sistema híbrido, vem mudando de configuração nas últimas semanas, tomando um rumo bastante diferente das diretrizes apresentadas inicialmente por Stefano Domenicali, presidente e CEO da F1, e Mohammed Ben Sulayem, presidente da FIA.

A ideia original era introduzir, no próximo ciclo regulamentar, um motor mais simples, capaz de reduzir a influência da complexa gestão de energia sobre as corridas. O objetivo seria devolver ao piloto uma parcela maior do controle sobre o desempenho do carro e, ao público, uma competição mais fácil de acompanhar, sem a necessidade de compreender uma série de parâmetros relacionados à recuperação e utilização de energia elétrica que variam de acordo com cada circuito.

Mohammed Ben Sulayem, presidente FIA, con Stefano Domenicali, Presidente e CEO di F1

Mohammed Ben Sulayem, presidente FIA, con Stefano Domenicali, Presidente e CEO di F1

Foto di: Alex Bierens de Haan / LAT Images via Getty Images

O conceito previa um V8 aspirado acompanhado por um sistema híbrido relativamente pequeno, com potência estimada em 100 kW — bem abaixo dos atuais 350 kW.

Uma das justificativas para a retomada do turbo estaria relacionada ao barulho dos carros. Com pelo menos um terço do calendário atual da F1 disputado em circuitos de rua, o som dos motores ganhou peso nas discussões. Nesse cenário, os turbocompressores ajudariam a abafar parte do ruído produzido pelos gases de escape, tornando o motor menos estridente do que seria um V8 aspirado.

A explicação, porém, levanta algumas dúvidas. Os estudos de viabilidade do V8 aspirado já haviam considerado diferentes soluções para o som do motor, incluindo escape livre, um nível de ruído semelhante ao atual e uma alternativa intermediária. Dessa forma, havia margem para que os responsáveis pelo regulamento escolhessem a característica sonora desejada sem necessariamente recorrer ao turbo.

Il motore Cosworth DFV della Lotus 49 portata al titolo 1968 da Graham Hill

Il motore Cosworth DFV della Lotus 49 portata al titolo 1968 da Graham Hill

Foto di: Mark Sutton / Motorsport Images

À medida que as discussões avançam, outro ponto começa a ganhar força nos bastidores: a resistência de alguns fabricantes à possibilidade de a F1 contar novamente com um fornecedor independente de motores, sem ligação direta com uma montadora.


A ideia de um fabricante desse tipo poderia atender equipes que atualmente dependem de seus fornecedores de unidades de potência e, em alguns casos, acabam ficando limitadas também pelas decisões políticas e estratégicas das montadoras às quais estão vinculadas.

A FIA vê com bons olhos o retorno de uma espécie de “nova Cosworth”, justamente como forma de reduzir o poder dos grandes fabricantes na definição dos rumos técnicos da categoria e, ao mesmo tempo, criar uma alternativa caso algum dos atuais fornecedores decida deixar a F1 no futuro.

A introdução do biturbo, entretanto, acrescentaria uma camada significativa de complexidade ao projeto do V8 e elevaria os custos de desenvolvimento, contrariando a expectativa inicial de uma unidade de potência relativamente simples e econômica. 

Prima vittoria della Renault in F1con  Jean-Pierre Jabouille sulla RS10 doppio turbo

Prima vittoria della Renault in F1con Jean-Pierre Jabouille sulla RS10 doppio turbo

Foto di: Renault

Em termos históricos, vale a pena lembrar que a Renault, em 1977, apresentou a RS01, a famosa “chaleira amarela” que levou à estreia, na versão RS10 de 1979, do primeiro biturbo, enquanto a última atuação vencedora remonta a 1988, com a McLaren MP4/4 de Senna e Prost, que dominou o campeonato com o V6 Honda RA168E equipado com duas turbinas IHI.

Os fabricantes ainda não assinaram o documento que oficializaria a adoção do V8 biturbo para 2030. No entanto, nos bastidores, há a indicação de que um acordo estaria próximo, com apoio à proposta da Mercedes para alcançar a maioria qualificada necessária.

A FIA, por sua vez, trabalha para chegar a uma definição o quanto antes. O objetivo é permitir que os fabricantes de motores iniciem os programas de desenvolvimento e os testes das novas unidades de potência com antecedência suficiente para que o regulamento de 2030 possa ser colocado em prática.

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