Explosivos não detonados em Gaza: remoção segue bloqueada
As restrições ocorrem sob o atual acordo de cessar-fogo, que condiciona a recuperação de Gaza ao desarmamento completo do Hamas. As Forças de Defesa de Israel não responderam ao pedido de comentário feito pela reportagem.
Acidentes atingem principalmente civis
Ao menos 274 pessoas morreram e 1.134 ficaram feridas em 580 acidentes com objetos explosivos na Faixa de Gaza até agosto de 2026, diz a OCHA. O órgão calcula uma média de dez vítimas por semana desde o início da guerra e afirma que o total provavelmente está subestimado.
Civis representam 90% das pessoas feridas por explosivos, segundo Kazumi Ogawa, diretor do Serviço de Ação contra Minas da ONU. Crianças estão entre os principais grupos expostos, pois correm o risco de encontrar um artefato explosivo e confundi-lo com um brinquedo.
Walaa, mãe de cinco filhos, sobreviveu à explosão de um artefato lançado por um drone israelense em Gaza. A explosão matou o marido, os filhos e outros seis parentes. “Depois do que aconteceu, eu tinha medo de tudo no chão”, relatou ela em uma atividade da ONU sobre riscos de explosivos. “Qualquer pedaço de metal, qualquer objeto estranho — eu não sabia o que poderia me matar e o que não”.
Limpeza pode levar até 30 anos
Organizações humanitárias identificaram 1.052 itens de munição explosiva em Gaza desde outubro de 2023, segundo a OCHA. A Humanity & Inclusion estima que a retirada de bombas não detonadas em Gaza pode levar de 20 a 30 anos. O prazo foi informado pela organização à agência de notícias Reuters após o cessar-fogo de 2025.





