Ex-presidente da SPTrans é preso em operação contra o PCC - 17/09/2026 - Cotidiano - FlaNotícias

Ex-presidente da SPTrans é preso em operação contra o PCC – 17/09/2026 – Cotidiano


O ex-presidente da SPTrans, órgão que gerencia o transporte público de São Paulo, Levi dos Santos Oliveira foi preso na manhã desta quinta-feira (17) durante uma operação policial que investiga a infiltração de membros do PCC (Primeiro Comando da Capital). A defesa dele disse que ainda não teve acesso ao conteúdo da decisão judicial que autorizou a operação.

Nesta quinta-feira (17), a Polícia Civil e Ministério Público cumprem mandados de prisão temporária contra 16 suspeitos de envolvimento com a facção criminosa e participação no setor de transportes.

A operação, batizada como Vectura Corrupta, mira suspeitas de que 12 empresas de ônibus que prestam serviço de transporte coletivo em municípios paulistas passaram a ser administradas por integrantes da facção depois de vencerem licitações no setor. Há também suspeita de corrupção de funcionários públicos.

Segundo a decisão do desembargador Sérgio Ribas, Levi mantinha “encontros periódicos” com José Daniel Satilite, apontado pela investigação como um dos “laranjas” da facção criminosa.

Segundo a decisão, os encontros tinham como “finalidade exclusiva tratar de interesses do PCC relacionados a empresas de transporte público”.

Levi foi presidente da SPTrans em duas ocasiões. A primeira aconteceu em 2020, indicado ao cargo pelo ex-prefeito Bruno Covas.

Após o atual prefeito Ricardo Nunes (MDB) assumir o cargo com a morte de Covas, Levi deixou a SPTrans e assumiu a Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito. Em 2022, voltou ao cargo de presidente da empresa, onde ficou até fevereiro de 2025.

Em nota à Folha, a defesa de Oliveira afirmou que ainda não teve acesso aos autos nem às “circunstâncias que fundamentaram a medida”.

“Levi dos Santos Oliveira, primário e sem antecedentes, construiu ao longo de décadas, uma trajetória de relevantes serviços públicos prestados à cidade de São Paulo, atuando na SPTrans, onde se consolidou como referência técnica em sua área”, disse o escritório Fernando José da Costa Advogados.

“Tão logo tenha acesso ao conteúdo da decisão e aos elementos que a embasaram, adotará as medidas jurídicas cabíveis, com confiança nos meios legais para o pronto esclarecimento dos fatos e a revogação de sua segregação”, completou.

O ex-vereador Milton Leite é outro alvo da operação. A Justiça determinou sua prisão temporária. Ele não foi encontrado em seus endereços e é considerado foragido.

Em conversa com a Folha por telefone, o ex-vereador afirmou que está fora de São Paulo e que não está foragido. “Vou me entregar em 24 horas. Estou me organizando com meus advogados”, disse. Leite negou todas as acusações, como a de que seria o proprietário da empresa de ônibus Transwolf.

“Nego veementemente, não conheço ninguém do PCC nessa vida. A minha relação com o setor (de transportes) foi institucional, a pedido do então prefeito Bruno Covas, inclusive na negociação de uma greve em 2019. Não há nenhuma hipótese de eu ser dono [da Transwolf]. Nunca tive um carro. A Transwolf tem 600 cooperados, como eu sou dono de um grupo de 600 cooperados?”, disse.



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