EUA e Arábia Saudita atacam grupos apoiados pelo Irã no Iraque – 29/07/2026 – Mundo
Os Estados Unidos e a Arábia Saudita lançaram ataques contra grupos apoiados pelo Irã no Iraque nesta quarta-feira (29), afirmando que eles eram responsáveis por ataques com drones a instalações petrolíferas sauditas, levando o Irã a alertar que culpá-lo por tais ataques é um “grande erro de cálculo”.
Os ataques a alvos no Iraque ocorrem enquanto Omã propôs um novo acordo regional destinado a resolver o conflito sobre o estreito de Hormuz, por onde cerca de um quinto do petróleo global e do gás natural liquefeito fluía antes da guerra.
A Guarda Revolucionária do Irã disse nesta quarta que suas forças atacaram três petroleiros no estreito e os forçaram a parar depois que ignoraram avisos por tomarem uma “rota insegura e ilegal”.
A Marinha disse em comunicado que continua a manter controle total sobre a via navegável estratégica e alertou que “a interferência militar ilegal dos EUA” e instruções a embarcações na região não ficariam sem resposta.
Os ataques EUA-Arábia Saudita no leste do Iraque ocorreram poucas horas depois de os militares americanos dizerem que suas defesas aéreas haviam evitado um ataque surpresa iraniano contra tropas dos EUA na região.
Os ataques de ambos os lados nos últimos dias encerraram uma breve pausa nos combates, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, cancelou abruptamente uma campanha de bombardeio americana de duas semanas e o Irã pareceu fazer o mesmo.
A Arábia Saudita disse na terça (28) que suas defesas aéreas destruíram vários drones que tinham como alvo instalações petrolíferas na Província Oriental do reino. Milícias apoiadas pelo Irã lançaram os ataques a partir de território iraquiano, disse o porta-voz do Ministério da Defesa saudita, Turki al-Maliki.
Mais tarde no mesmo dia, o Comando Central dos EUA e o Ministério da Defesa da Arábia Saudita disseram que os dois países atingiram múltiplos locais no leste do Iraque que, segundo eles, haviam sido usados pelo Irã para direcionar ataques com drones. O Ministério da Defesa saudita disse que não busca escalada, mas responderia a qualquer “agressão”.
As Forças de Mobilização Popular do Iraque disseram que várias de suas sedes oficiais em diferentes partes do Iraque foram atacadas na quarta-feira pelo que descreveu como forças dos EUA e da Arábia Saudita. Relatórios preliminares indicam que várias pessoas foram mortas e outras feridas, com danos a vários de seus prédios e instalações.
Os preços do petróleo subiram mais de US$ 3 por barril nesta quarta após os ataques dos EUA e da Arábia Saudita, devido a preocupações de que o conflito possa escalar.
Falando à TV estatal no Irã, um oficial de defesa iraniano negou veementemente qualquer conexão entre projéteis disparados de outros países em direção a alvos sauditas.
O oficial militar não identificado, citado pela emissora estatal IRIB, disse que atribuir ataques a interesses dos EUA na região ao Irã é um “grande erro de cálculo”.
O Comando Central dos EUA também afirmou na terça que o Irã havia lançado múltiplos mísseis balísticos “em uma tentativa de ataque surpresa contra forças dos EUA baseadas no Oriente Médio“, e que os mísseis foram interceptados com sucesso.
“Enquanto as ameaças contra a República Islâmica do Irã continuarem e ações ilegais e maliciosas das forças dos EUA contra nossos interesses estiverem em andamento, a resistência também continuará”, afirmou comunicado da Guarda Revolucionária.
Em um esforço para resolver o conflito sobre o estreito de Hormuz, Omã apresentou ao Irã um plano apoiado pelos estados do Golfo para administrar a via navegável que incluiria a cobrança de taxas voluntárias de navios.
Sob a proposta omanense, o Irã não exerceria controle exclusivo e as taxas seriam voluntárias, disseram à Reuters a fonte do Golfo e o diplomata ocidental informados sobre o assunto.
O sistema seria análogo ao existente no estreito de Malaca, na Ásia, onde Indonésia, Malásia e Singapura pedem aos navios que paguem contribuições voluntárias para financiar navegação, proteção ambiental e operações de busca e resgate.
Os ministros das Relações Exteriores do Conselho de Cooperação do Golfo se reuniram por videoconferência nesta terça para discutir os últimos desenvolvimentos no conflito, disse um comunicado do Ministério das Relações Exteriores do Catar.
Um oficial dos EUA rejeitou novamente a ideia de pedágios ou taxas para navios que transitam pelo estreito, reiterando que é uma via navegável internacional que deve estar livre de controle ou restrições iranianas.





