Em 2017, Galípolo alertou sobre efeito negativo dos juros na dívida
Os economistas criticam o aumento da taxa de juros pelo BC. Na época, a taxa básica de juros, Selic, subiu sete pontos, de 7,25% em abril de 2013 para 14,25% em julho de 2015. Mas a inflação também subiu – o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) teve alta de 22,35% no período, e ficou em 9,56% no acumulado de 12 meses até julho de 2015.
“O argumento de que a política monetária leva tempo para fazer efeito e o diagnóstico de inflação de demanda sucumbem ao peso de quase três anos de escalada dos juros e a dois anos de recessão”, escreveram.
Hoje, com Galípolo à frente do BC, a Selic está em 13,75% e a inflação medida pelo IPCA está em 4,58% (dado do acumulado de 12 meses até setembro).
Galípolo e Belluzzo falam também sobre o cenário de dominância fiscal, situação em que o mecanismo de elevação dos juros deixa de funcionar para controle da inflação. Citando outro economista, Michael Woodford, eles dizem que “em uma situação de dominância fiscal, a dívida pública segue numa trajetória explosiva se a taxa de juros real se eleva no esforço para atingir a meta. Nessa situação, a queda da inflação agrava a dinâmica perversa da relação dívida/PIB (Produto Interno Bruto).”
Galípolo e Belluzzo concluem o artigo com a citação de uma entrevista de Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de Economia, concedida ao jornal O Estado de S. Paulo em 2016. No trecho destacado, Stiglitz diz o seguinte:
“Vocês têm uma das mais altas taxas de juros no mundo. Se o Brasil reagisse à queda no preço das exportações com medidas contracíclicas, o país talvez pudesse ter evitado a intensidade da atual crise (…). Esse modelo que diz que, se a inflação está alta, você sobe os juros é uma teoria que foi desacreditada. É preciso saber qual é a fonte da inflação. Se for excesso de demanda, aí você sobe os juros, porque tem que moderar a demanda. Mas se for um impulso por custos, você tem que ser cuidadoso. Nesse caso, a forma pela qual a alta de juros reduz a inflação é matando a economia (…) “





