Dólar sobe a R$ 5,20 e Bolsa cai após IPCA-15 mostrar inflação mais forte
Os juros dos Treasuries de dez anos superaram 5,1% e atingiram o maior nível desde 2007. Uma nova alta pode levar o rendimento a patamares não observados desde o início dos anos 2000, mas esse movimento não precisa ser interpretado necessariamente como um prenúncio de crise. Marcos Praça, diretor da ZERO Markets Brasil
No exterior, preço do petróleo acomoda, mas segue acima de US$ 100. Os contratos de Brent, referência internacional para o combustível, com entregas previstas para novembro, recuavam 1,8% a US$ 104,70, ao redor do maior patamar desde junho. As Bolsas europeias e de Nova York sobem nesta sexta-feira, embaladas pela queda da commodity.
No ambiente doméstico, mercado reage à prévia de inflação de setembro. O IPCA-15, que antecede o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), usado pelo Banco Central como principal referência para a política monetária, subiu 0,7%, ante deflação de 0,4% em agosto. No acumulado em 12 meses, a variação foi a 4,47%, de 4,24%, voltando a superar o teto da meta perseguida pelo BC.
O número veio acima do teto das projeções do mercado, com os nove grupos pesquisados subindo. Se fosse apenas efeito da conta de luz, você veria energia subindo e o resto parado, e não foi isso que ocoreu. Pressão espalhada em nove de nove grupos não é evento pontual, é inflação ainda disseminada. André Matos, CEO da MA7 Capital
Indicador ajuda agentes econômicos a calibrarem apostas na trajetória dos juros. Na última decisão do Banco Central, o Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu a taxa básica de juros Selic a 13,75% de 14% ao ano. A diretoria não sinalizou claramente novas reduções, apontando que próximas decisões dependeriam dos preços e da economia.
O IPCA-15 acima do esperado aumenta a chance de o ciclo de redução da Selic ser mais lento do que se imaginava, porque o Banco Central ainda enfrenta um problema de expectativas. Alberto Friggi, CEO da Friggi & Secco





