Copa: Messi convive com o admirado que virou admirador – 14/07/2026 – O Mundo É uma Bola
Pelé teve como ídolo Zizinho, o mestre Ziza. Diego Maradona admirava o endiabrado Roberto Rivellino. Zinédine Zidane espelhava-se no uruguaio Enzo Francescoli. Para Johan Cruyff, a inspiração era o compatriota Faas Wilkes –este último talvez mereça um dia um texto à parte, desconhecido que é do grande público.
Menciono jogadores que para mim estão na primeiríssima prateleira do futebol, com Pelé acima de todos, com seus respectivos heróis de infância.
Todos tiveram oportunidade de se encontrar, alguns mais de uma vez (casos de Maradona com Rivellino e Zidane com Francescoli) com suas referências. Zidane gostava tanto do craque uruguaio que até colocou o nome dele, Enzo, em seu filho que é goleiro (e disputou esta Copa do Mundo pela Argélia.
Nenhum deles teve, contudo, a oportunidade, que certamente seria vista como uma honra, de conviver dia a dia, de ser orientado, treinado, pelo ídolo.
Em alguns casos, nem teria sido possível. Francescoli e o holandês Wilkes jamais seguraram uma prancheta, e Rivellino, tricampeão mundial com o Brasil na Copa de 1970, teve passagem efêmera como técnico, no futebol japonês. Zizinho até aventurou-se por algum tempo na carreira de treinador , porém não dirigiu Santos, nem Cosmos, nem seleção brasileira, as camisas vestidas pelo rei do Futebol.
Lionel Messi, o principal futebolista deste século, a estrela maior da seleção argentina, que aos 39 anos ainda refulge magnífico nesta Copa do Mundo – oito gols em seis partidas até as semifinais– tem o privilégio de ter perto de si, cotidianamente, quando serve a seleção de seu país, a figura que cultuava quando garoto, lá em Rosário, sua cidade natal.
Na segunda metade dos anos 1990, o pequeno Leo acompanhava pela TV as partidas do River Plate e encantava-se com a criatividade, a objetividade, a técnica refinada e os dribles curtos do meia ofensivo que vestia a camisa 10 dos Milionários e posteriormente receberia, ao atuar na Europa, o apelido de “O Mago”.
Aimar é auxiliar técnico de Lionel Scaloni na Argentina desde agosto de 2018, quando o atual treinador da Alviceleste bem-sucedido ao conquistar uma Copa do Mundo (2022), duas Copas Américas (2021 e 2024) e uma Finalíssima (2022).
Assim, há quase oito anos Aimar e Messi encontram-se sempre que a seleção argentina se reúne, seja para amistosos, seja para Eliminatórias, seja para campeonatos ou para uma partida decisiva (a Finalíssima).
Messi possivelmente já se acostumou à presença do ídolo, a rotina cuida para que o que seria, e certamente foi no início, algo encantador e realizador.
Mas não é por que o atleta se torna um ícone, um símbolo de sucesso mundial, que apaga os sentimentos de seu passado. Se Messi parar um instante e focar Aimar, vindo em sua direção entregar-lhe a bola para que faça o que sabe, ele naquele segundo irá se emocionar.
Com reciprocidade. “Ter sido o ídolo de Messi me enche de orgulho”, disse Aimar ao site da Fifa. O admirado tornou-se admirador.
Penso: será que Aimar dá algum conselho a Messi, algo que ajude o supercraque a ser ainda mais super? Não creio. Messi, quase quarentão, já sabe tudo de bola. Seria como querer ensinar o padre a rezar a missa. Desnecessário.
Mas só de Aimar estar ali, próximo, observando e incentivando, abraçando-o por vezes, deve dar a Messi combustível extra. Na prática, inclusive, funcionou. Messi só triunfou com a Argentina depois da chegada do ídolo –antes, acumulava fracassos.
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.





