Copa do Mundo: Argentina ainda tem algo a dizer – 15/07/2026 – Marcelo Bechler
Na terça-feira (14), a Espanha deu um olé na França. Tocou e tocou, de forma catedrática para fazer os jogadores fortes, rápidos e corpulentos do time francês estarem sempre dois passos atrás. A vitória só não foi mais impiedosa porque Lamine Yamal (ainda) não faz uma grande Copa e está errático no um contra um final para decidir as jogadas.
A classificação espanhola coroa o método. O tal “jogo de posição”, os toques para gerar “superioridade numérica”, o conceito de “se eu tenho a bola, não posso sofrer gols” é o que os espanhóis mais acreditam neste esporte. Formam jogadores desde os dez anos de idade dentro dessa filosofia. Quando o plano A dá errado, o plano B é ativado: fazer o plano A ainda melhor.
Apenas um gol sofrido em sete jogos, pouco trabalho para o goleiro Unai Simón e um controle de jogo capaz de frustrar os adversários, que passam mais tempo correndo que jogando.
Do outro lado do ringue estará a Argentina. Com mais apuros, mas também com mais coração. Os argentinos desperdiçaram várias gerações sem conseguir ganhar, mas sem nunca desistir do seu jogo. O tal “toco y me voy” eternizado por Galvão Bueno, o “mía, suya” como eles também dizem por lá.
Tocar a bola e ter jogadores que gostem dela para ganhar os jogos. Quando apareceu uma força sobrenatural do futebol chamada Lionel Messi, e quando o time conseguiu aglutinar jogadores próximos a ele, a Argentina conseguiu três finais das últimas quatro edições.
Desta vez, com uma geração ainda remanescente de 2022, que se recusa a despertar do sonho do Qatar. A média de idade do time que enfrentou a Inglaterra é de 29,3 anos. Três a mais que a finalista espanhola.
A Argentina chega à decisão apoiada no seu estilo, mas certamente não é por isso. É pelo coração e por Lionel Messi.
Existem várias formas de jogar o futebol e também de vivê-lo. E talvez ninguém viva mais este jogo do que a Argentina. O time que sofre contra Cabo Verde, Egito, Suíça e Inglaterra parece sempre pronto para ter seu último capítulo escrito, mas ainda tem algo a dizer contra a Espanha
Messi lidera uma Copa do Mundo aos 39 anos, mais lento e menos móvel do que todos os outros jogadores. Não é preciso ser super-rápido ou forte para jogar futebol, é preciso saber jogar. Uma vez Johan Cruyff disse que futebol se joga com a cabeça e se usam os pés. Não poderia ser mais verdadeiro.
Enquanto fez soldados jogam com o coração e o suor, Messi joga com a cabeça e um pé esquerdo irrepetível.
Como time a Espanha é melhor que a Argentina. Mas a Inglaterra também era. Os aspectos técnico e tático são só uma parte do esporte. Faltando uma partida para decidir o campeão do mundo, o coração tem um papel fundamental e ninguém tem mais coração que os argentinos.
Será uma final dividida entre como jogar e como viver. Sendo que o lado argentino tem também que mais sabe jogar futebol nos últimos 50 anos, pelo menos.
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