Conselheira tutelar é encontrada morta em área rural de MG – 27/08/2026 – Cotidiano
A conselheira tutelar Maryna Colucci de Jesus, 34, foi encontrada morta e com marcas de violência na terça-feira (25) em uma área rural entre Jacuí e Fortaleza de Minas, em Minas Gerais, após sair de casa na sexta-feira (21) e não ser mais vista.
Segundo a Polícia Civil, o suspeito do assassinato é um policial militar de 43 anos, preso em flagrante após indicar a localização do corpo aos investigadores. Ele teria confessado o crime.
Na segunda-feira (24), em um comunicado urgente, a Prefeitura de Jacuí, cidade onde Maryna trabalhava, informou à população sobre o desaparecimento e pediu ajuda para localizá-la.
Maryna, uma mulher trans, havia saído de casa levando apenas o celular. No comunicado, a prefeitura pediu a verificação de imagens de câmeras de segurança em casas, estabelecimentos comerciais e nas ruas para colaborar com as buscas.
O corpo estava enterrado em uma cova de dois metros de profundidade, com marcas de tiros na cabeça.
Em nota de pesar, a prefeita Maria Conceição dos Reis Pereira (PSD) manifestou solidariedade à família, amigos e companheiros de trabalho da conselheira e lamentou a morte violenta da mulher.
“Maryna dedicou parte de sua trajetória à proteção e à defesa dos direitos de crianças e adolescentes, exercendo uma função de grande responsabilidade social e humana”, diz a nota. “Sua partida precoce e de forma tão dolorosa deixa uma profunda tristeza em todos aqueles que tiveram a oportunidade de conhecê-la e conviver com ela”.
A prefeita também manifestou indignação com o crime e disse defender uma sociedade em que não exista espaço para a violência.
Maryna era professora de educação infantil e ficou conhecida na cidade por ser fã de sereias, desde que assistiu a animação “A Pequena Sereia”.
A deputada federal Duda Salabert (PSOL-MG) lamentou a morte brutal. “Ser trans no trabalho, em casa ou nas ruas ainda significa viver sob uma violência que pode custar a própria vida”, disse.
Os registros de homofobia ou transfobia cresceram 35,6% no Brasil de 2024 a 2025, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23).
São considerados para o levantamento os boletins de ocorrência registrados com os delitos, enquadrados na Lei do Racismo.
O levantamento também mostra alta de 1,9% nos casos de estupro contra pessoas LGBTQIA+ no mesmo período, enquanto os homicídios dolosos (intencionais) dessa população caíram 14,2% —queda que os pesquisadores dizem não representar necessariamente uma melhora do cenário.





