Citi corta recomendação da Motiva após disparada das ações
Continuamos construtivos em relação aos fundamentos e às oportunidades de melhoria do portfólio, mas o potencial de valorização parece mais limitado agora. Filipe Nielsen, analista do Citi, em tradução livre
Queda dos juros levou banco a elevar o preço-alvo. Taxas menores aumentam o valor atribuído aos lucros e ao dinheiro que a Motiva deverá gerar nos próximos anos. Esse efeito compensou uma pequena redução nas projeções de resultados, causada pelo tráfego mais fraco nas concessões no terceiro trimestre e por expectativas menores para o crescimento da economia.
Motiva pode ganhar menos com juros menores que concorrentes. A companhia tem endividamento relativamente baixo e já consegue tomar empréstimos em condições favoráveis. Isso significa que há menos espaço para economizar com a substituição de dívidas antigas por financiamentos mais baratos, segundo o Citi.
Apenas parte da dívida oferece oportunidade de economia. O banco calcula que 21% das dívidas da Motiva vinculadas à inflação, considerando operações de proteção financeira, têm custo igual ou superior ao dos títulos públicos de longo prazo utilizados como referência. Por isso, a queda dos juros pode trazer benefícios menores do que para empresas que possuem dívidas mais caras.
Mudanças em contratos de concessão podem demorar. O Citi também vê oportunidades para a Motiva ampliar receitas com alterações nos contratos de rodovias e linhas de metrô. Entre os projetos estão SPVias, AutoBAn e as linhas 5 e 17. Algumas aprovações, porém, podem ficar para o primeiro semestre de 2027.
Juros menores também podem reduzir os ganhos desses projetos. Como as condições dos contratos podem ser revistas, uma queda das taxas pode diminuir a remuneração prevista para novos investimentos. O Citi avalia que esse efeito tende a ser compensado pelo financiamento mais barato, mantendo o valor econômico dos projetos próximo ao estimado anteriormente.





