Ciclone: Não foi qualquer ventania, diz mulher de Pelotas – 07/08/2026 – Cotidiano
Moradora de Pelotas, no Rio Grande do Sul, a maquiadora Priscila Martins, 47, disse que a ventania do final da tarde desta quinta-feira (6) foi rápida, mas tão intensa que “fez estrago na cidade toda”. A região Sul enfrenta a passagem de um ciclone-bomba.
A carioca, que mora há dez anos na cidade do sul gaúcho, no bairro Areal, estava em casa com a filha quando o vento começou, perto das 18h. “Não foi qualquer ventania, foi ‘a’ ventania”, disse ela à Folha.
“Automaticamente já acabou a luz. Pedi para minha filha esperar um pouco, para eu levá-la até a casa dela, no bairro Fragata. E a ventania passou rápido. Mas, quando saímos de casa, uma ou duas horas depois da ventania, e atravessei a cidade, vi todo o estrago. Tinha avenida com uns oito postes caídos, lojas com os letreiros no chão, árvores e galhos no meio da pista”, conta ela.
A luz na sua residência voltou perto das 22h, mas caiu de novo na meia hora seguinte. A energia só voltou mesmo já de madrugada. Mas ela conta que isso é frequente por lá. “Aqui deu uma chuvinha, um vento, falta luz, sempre. “Então, para gente, já não é novidade”, revela.
“Teve um ciclone no final de 2023 que me destelhou, quebrou o vidro da minha janela, levou minhas persianas de madeira. Eu tinha um cacto de 3 metros que rachou no meio. Um ano antes, caiu um eucalipto em cima do meu carro”, disse ela, que mora em uma casa com dois pavimentos. No segundo, ela tem o ateliê de maquiagem, onde atende seus clientes.
“Aqui é comum ciclone. O que chama atenção agora é a mudança de tempo, de temperatura, de forma brusca, por causa do El Nino”, disse ela.
As rajadas de vento na cidade alcançaram 88 km/h, segundo a Defesa Civil estadual, e provocaram danos na Furg (Universidade Federal do Rio Grande). Por volta das 18h20, um pavilhão de aulas do campus foi atingido pelo telhado de um prédio vizinho, que estava localizado a cerca de 70 metros de distância.
“Como a gente estava esperando que houvesse uma alteração climática bem significativa, a reitoria da universidade suspendeu as atividades do turno da noite, por questão de segurança”, diz Glaudenir Hofalcker de Lemos, prefeito universitário da Furg. “O pavilhão que foi atingido estaria com bastante gente circulando naquele horário”, ele diz.
Lemos conta que havia uma estudante próxima ao pavilhão no momento do incidente, aguardando um motorista de aplicativo para voltar para casa. Ela foi orientada a se afastar do local. “Segundos depois veio a ventania e derrubou toda a fachada, inclusive a janela onde ela estava posicionada”, diz.
Como a área ficou sem fornecimento de energia durante cerca de oito horas, equipes da Pró-Reitoria de Infraestrutura puderam dimensionar os danos apenas na manhã desta sexta-feira (7). O valor do prejuízo ainda está sendo calculado.
Nesta quinta, o vento ainda derrubou parte do muro do pátio de um presídio em Pelotas, sem deixar feridos. A Polícia Penal informou que “a segurança do local foi reforçada pelas forças policiais” e que uma equipe de engenharia da Sejusp (Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo) foi enviada ao local para avaliar a situação.
Mais de 100 municípios do Rio Grande do Sul registraram algum tipo de dano ligado aos temporais desde quinta, segundo a Defesa Civil estadual.
Em Montenegro, cidade da região metropolitana de Porto Alegre, um motociclista morreu ao ser atingido pela queda de uma árvore durante a tempestade. Sua identidade não foi divulgada. Até a manhã desta sexta, ainda segundo a Defesa Civil, havia registro de cinco feridos no estado em decorrência dos fortes ventos.
Em Porto Alegre, até as 7h30 desta sexta, a Defesa Civil municipal havia registrado 44 ocorrências relacionadas aos efeitos do vendaval da noite de quinta. Entre os chamados, a maioria era destelhamento em imóveis.





