BRB vendeu para XP créditos do Master por R$ 304,6 mi – 16/09/2026 – Finanças
Brasília
O BRB (Banco de Brasília) vendeu por R$ 304,6 milhões para o Banco XP um conjunto de créditos que havia recebido do Master. O negócio foi formalizado em 21 de agosto e envolve seis CCBs (Cédulas de Crédito Bancário) da Esfera Aquisições Imobiliárias.
Segundo pessoas envolvidas nas negociações, o BRB recebeu à vista pela venda, e o dinheiro entrou no mês de setembro, ajudando nos indicadores de liquidez do banco estatal do Distrito Federal. A XP comprou esses créditos com deságio, uma vez que seu valor econômico chega a R$ 400,7 milhões.
As informações constam de um contrato de cessão e aquisição de créditos. O chamado “Instrumento Particular de Contrato de Cessão e Aquisição de Crédito e Outras Avenças” integra o conjunto de dados das investigações envolvendo as operações entre o BRB e o Master.

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Pedro Ladeira – 19.jun.26/Folhapress
A atual administração do Banco de Brasília teve que pedir autorização do STF (Supremo Tribunal Federal), onde está o inquérito do Master, para concluir a venda desses créditos. Nesta operação, o BRB negociou dois ativos herdados do banco de Daniel Vorcaro. Além dos créditos para a XP, vendeu a participação em um Fidc (Fundo de Investimentos em Direito Creditório) que tocava o projeto imobiliário que deu origem a essa dívida.
Procurado, o BRB não quis comentar e justificou haver sigilo comercial. Procurada desde sábado (12), pelo WhatsApp da assessoria de imprensa, a XP também não se manifestou.
No ano passado, o BRB recebeu vários ativos do Master como forma de compensação pela compra de créditos sem lastro produzidos no banco de Daniel Vorcaro.
Entre esses ativos, o BRB recebeu a participação no Fundo Trevi, no qual tinha outros dois sócios. O Trevi tinha sob seu guarda-chuva a Esfera Aquisições Imobiliárias, que tomou empréstimo do Master.
Vorcaro transferiu ao BRB também a titularidade desse crédito. Dessa forma, o BRB ficou nas duas pontas ao mesmo tempo da operação: como credor e devedor.
Um dos sócios do fundo, o grupo RZK Empreendimentos optou por unificar a operação e assumiu todo o controle. Ele fez uma operação de compra da parte dos dois sócios do fundo, incluindo o BRB, passando a ser o único devedor das CCBs. Por esta operação, o banco estatal recebeu R$ 35 milhões, também à vista e também em setembro.
O BRB concluiu a operação vendendo as CCBs para a XP.
Como todos os ativos que envolvem a carteira do Master tiveram bloqueio judicial, em razão das investigações e da liquidação do banco de Daniel Vorcaro, o BRB precisou da autorização do STF para concluir o negócio.
As informações sobre esta operação constam de um pedido feito pelo BRB ao STF para liberar 23 imóveis que continuavam com restrições na Cnib (Central Nacional de Indisponibilidade de Bens) por estarem vinculados ao Master. Os imóveis serviam como garantia dos créditos que haviam sido adquiridos pelo BRB.
Em 28 de agosto de 2026, o ministro André Mendonça determinou o cancelamento das indisponibilidades registradas na Cnib. Em 3 de setembro, a 10ª Vara Federal Criminal do Distrito Federal informou que a ordem havia sido cumprida, e que o BRB passou a constar no sistema como sem restrição. Ou seja, havia sinal verde para o negócio.
O documento aponta que o Master foi o credor original das operações. Em junho de 2025, os créditos foram adquiridos pelo BRB e, pouco mais de um ano depois, negociados com a XP.
As seis cédulas têm vencimento entre janeiro e agosto de 2029. A maior delas tinha saldo de R$ 110,6 milhões. As demais registravam R$ 51,2 milhões, R$ 28,8 milhões, R$ 63,1 milhões, R$ 62,4 milhões e R$ 84,6 milhões. Todas tinham como garantia alienação fiduciária de imóveis da Esfera.
A documentação mostra uma série de salvaguardas impostas pela XP para a conclusão do negócio. Entre elas estavam uma auditoria jurídica, técnica, contábil, de crédito e fiscal sobre os créditos e as garantias; a comprovação de registro das CCBs na B3; além da entrega de documentos relativos à operação anterior, pela qual os créditos passaram do Master para o BRB.
A operação ocorre em meio às discussões sobre o resgate do BRB após os prejuízos do banco do governo do Distrito Federal com a compra de carteiras de crédito e outros ativos sem lastro do Master.
Como mostrou a Folha, XP e Banco do Brasil discutiram uma possível entrada da plataforma no consórcio para socorrer o BRB. Há uma cobrança dos bancos, nos bastidores, para que a XP participe do resgate em razão de sua atuação na distribuição de CDBs do Master.
XP e BTG foram as duas instituições financeiras que mais venderam esses papéis. Reportagem mostrou que a XP tinha cerca de R$ 30 bilhões em títulos do conglomerado Master distribuídos, enquanto o BTG tinha outros R$ 6,6 bilhões.
O dinheiro da venda representa um reforço no caixa do BRB, que passa por dificuldade de liquidez. O governo do DF ainda não conseguiu fechar o empréstimo com o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) para fazer o aumento de capital exigido pelo Banco Central.





