BRB: DF tenta provar capacidade para empréstimo bilionário – 07/08/2026 – Economia
A gestão Celina Leão (PP), do Distrito Federal, espera conseguir demonstrar capacidade de pagamento do empréstimo de R$ 6,6 bilhões que tenta conseguir para salvar o BRB (Banco de Brasília) com base no resultado de suas contas até julho.
O banco público, afetado pelo escândalo do Banco Master, precisa do dinheiro para cobrir o rombo deixado pelas operações com a instituição financeira de Daniel Vorcaro.
Nesta sexta-feira (7), o governo do DF disse ter revertido uma projeção de déficit de R$ 6 bilhões para a expectativa de um superávit de R$ 3 bilhões ao fim de 2026.
Celina Leão não detalhou quais despesas foram cortadas, mas disse que a reversão do déficit vem de corte de gastos e diminuição de custeio da máquina pública.
O governo do Distrito Federal fechou 2025 com um rombo de R$ 1 bilhão em seu caixa e, nos quatro primeiros meses deste ano, registrou déficit de R$ 1,9 bilhão. O balanço atualizado até julho deve ser publicado na próxima semana, segundo Valdivino de Oliveira, secretário de Economia do Distrito Federal.
O déficit projetado, afirmou o secretário, vinha de despesas contratadas sem previsão no orçamento. Ele citou, durante apresentação no Palácio do Buriti, sede do governo distrital, o exemplo do custeio do transporte público, que demanda cerca de R$ 2,2 bilhões anuais em subsídios, mas tem previsão de R$ 1,1 bilhão do orçamento.
Segundo Valdivino, a execução orçamentária do governo do Distrito Federal era baseada em liberdade fiscal total. “Temos em torno de 60, 70 unidades orçamentárias e elas tinham liberdade total para executar o orçamento. Isso acabou.”
Celina Leão era vice e assumiu como governadora do DF no fim de março, depois que Ibaneis Rocha (MDB) renunciou para tentar viabilizar uma candidatura nas eleições deste ano.
A expectativa da gestão dela é que o resultado das contas nos 12 meses até julho demonstre que o Distrito Federal tem capacidade de pagar o empréstimo tentado na operação do BRB.
Para o secretário de Economia, há viabilidade de demonstrar um “Capag provisório”, ou seja, uma melhora no indicador de capacidade de pagamento feito pelo Tesouro Nacional, antes mesmo da revisão formal dos parâmetros. Para 2026, isso só seria feito no próximo ano.
Valdivino e Celina não disseram se o governo do Distrito Federal vai insistir em uma garantia da União para o empréstimo.
“Não vamos adiantar aqui porque isso vai ser tratado no Supremo na [próxima] quinta-feira”, disse a governadora. “Temos documentações, inclusive sobre a previsibilidade de um Capag A provisório, que existe, há um termo econômico sobre isso, que é a previsibilidade [na relação despesas/receitas]”.
O governo do DF pediu uma audiência no STF (Supremo Tribunal Federal) para definir a execução do acordo firmado em maio para viabilizar o empréstimo de até R$ 6,6 bilhões do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) para salvar o BRB.
Celina não citou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, mas voltou a falar em “certa inércia”, em referência à declaração que a gestão distrital fez ao STF ao pedir a audiência da próxima semana. Na quinta, Durigan disse que a acusação é “totalmente descabida”.
Uma das dificuldades do governo do Distrito Federal na operação de empréstimo vem de sua nota C na Capag do Tesouro Nacional, em uma escala que vai de A (melhor) a D (pior).
O governo federal concordou em ampliar o limite de crédito do Distrito Federal, mas sem o aval da União, para viabilizar o plano de socorro ao banco. Com a nota C no Capag, a gestão distrital esbarra no teto de cerca de R$ 900 milhões do PAF (Programa de Reestruturação e Ajuste Fiscal).
O cálculo do GDF para defender que conseguiria essa reavaliação provisória considera o índice de endividamento do governo, o índice de liquidez relativa e a poupança corrente.
“Estamos envolvidos em uma polêmica desde que assumimos, a polêmica do BRB, cuja solução final agora passa por uma operação de crédito de 6,6 bilhões e que nós propomos pagar em 12 anos”, disse.
O resultado projetado para 2026, segundo o secretário, mostraria que o empréstimo consumiria menos de 25% do superávit deste ano.
“Tem capacidade [de pagar] porque tá gerando [superávit] e não parou nada. Não parou limpeza, não parou transporte, não parou saúde, não parou educação, não parou nada”, afirmou. Segundo ele, a gestão quer chegar ao fim do ano com um superávit maior, de R$ 5 bilhões.
Sem avançar, até agora, na tentativa de conseguir os R$ 6,6 bilhões com o FGC (Fundo Garantidor de Crédito), o governo tenta viabilizar garantias com Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil. No entanto, esse último pediu para ser dispensado de participar da audiência no STF (Supremo Tribunal Federal) no dia 13.





