Brasil estagna no ranking de igualdade de gênero – 16/09/2026 – Economia
O Brasil estagnou no ranking global de igualdade de gênero organizado pelo Fórum Econômico Mundial e se manteve na 72ª posição entre 145 economias no mundo. De acordo com o levantamento divulgado nesta quarta-feira (16), o país recuou 0,4 ponto percentual em relação ao ranking do ano passado, com uma pontuação de 71,5%.
O índice, que vai de 0 a 100%, mede a distância que cada país ainda precisa percorrer até alcançar a paridade plena entre homens e mulheres.
Apesar da estabilidade no ranking geral, o Brasil é um dos países que mais avançaram no recorte de empoderamento político. Desde 2006, o país subiu 15,8 p.p. no quesito —a maior evolução entre os quatro principais pilares do estudo, que mede a realização educacional, saúde e sobrevivência, participação e oportunidade econômica, e empoderamento político.
Neste período de 20 anos de dados do levantamento, a participação das mulheres nas casas legislativas pelo país mais do que dobrou, saindo de 9,4% para 20,7%. Essa medida considera a proporção entre homens e mulheres eleitos, e não a fatia bruta de cadeiras, segundo o estudo.
A presença feminina em ministérios triplicou, saindo de 12,9% para 40,9%.
Mesmo com o avanço no recorte temporal de longo prazo, houve uma queda de 2,1 pontos na mesma métrica na comparação com o levantamento do ano passado.
No quesito da realização educacional, o Brasil manteve paridade completa entre os gêneros pelo segundo ano seguido. Segundo o levantamento, a matrícula no ensino básico saltou de 94% em 2006 para 100% neste ano.
A situação é semelhante na saúde, com o país fechando o índice de paridade em 97,7%.
Já na participação econômica, métrica que mede emprego, renda e cargos de liderança ocupados por homens e mulheres, o Brasil fechou sua participação em 66,6% —patamar semelhante ao do ano passado, porém 6,2 pontos acima da pesquisa do Fórum em 2006.
De acordo com o estudo, o avanço na dimensão econômica foi puxado pela renda estimada das mulheres, hoje em 62,2% de paridade, e pela presença feminina entre legisladores, altos funcionários e gerentes de empresas públicas e privadas, que saiu de 58,7% para 66% em 20 anos.
O estudo divulgado nesta quarta marca os 20 anos de avanços na paridade de gênero e mostra cenários de evolução ainda incipientes e longe do ideal. Segundo o Fórum Econômico Mundial, a projeção é de que, se nada for feito, a paridade plena entre homens e mulheres só será alcançada daqui a 120 anos.
O ponto destacado pela entidade como o mais preocupante é justamente o empoderamento político das mulheres, dimensão que teve o maior ganho absoluto entre os pilares da pesquisa desde 2006, mas que hoje mostra sinais de reversão.
A fatia de países liderados por uma mulher como chefe de Estado ou de governo atingiu o pico de 27% em 2022, o maior nível em meio século, mas recuou desde então para os patamares registrados em 2016.
O relatório também aponta que esse aparente ganho de protagonismo feminino na política pode ser visto de forma lateral: em gabinetes ministeriais, apenas 1 em cada dez postos ocupados por mulheres é considerado de alta influência (como finanças, defesa ou relações exteriores).
Um dos pontos de maior fragilidade universal está na liderança corporativa e na área de tecnologia. As mulheres ocupam 19,1% dos cargos de CEO no mundo, e apenas um quarto das posições de CFO (diretor financeiro) e COO (diretor de operações) —as portas de entrada mais comuns para o topo—, contra dois terços em recursos humanos.
Na área de tecnologia, a fatia cai para menos de 20% em CIO (diretor de tecnologia da informação) e menos de 10% em CTO (diretor de tecnologia).
Nesse recorte, feito com dados coletados em parceria com o LinkedIn, a presença feminina no mercado de trabalho geral é de 41,8%, mas cai para 29,6% em posições de alta gestão. A representação de mulheres cai pela metade das posições de entrada na carreira (46%) até o nível C-Level (23%).
“A paridade de gênero não é um aspecto periférico aos desafios que temos pela frente. Ela é fundamental para o desenvolvimento humano e para liberar o talento, a inovação, a criatividade e a resiliência de que as economias precisarão para navegar nesta nova era”, afirma no relatório Saadia Zahidi, diretora-gerente do Fórum Econômico Mundial.
“Os últimos 20 anos demonstraram que as disparidades de gênero podem ser reduzidas. O desafio para os próximos 20 anos é acelerar esse processo. À medida que uma nova era econômica ganha forma, temos a oportunidade de garantir que suas instituições, tecnologias e fontes de crescimento aproveitem o talento de todas as pessoas.”
No ranking geral, a Islândia é o único país a superar a marca de 90% em paridade e lidera pelo 17° ano consecutivo. Em seguida estão Finlândia (87,2%), Noruega (85,7%), Namíbia (84,5%), e Reino Unido (84,2%).
Fecham o top 10 a Nova Zelândia (82,8%), Suécia (82,3%), Austrália (81,9%), Alemanha (81,7%) e Irlanda (81,4%).
Na ponta dos piores países do ranking estão Chade (57,8%), Irã (58,5%), Paquistão (59,5%), República Democrática do Congo (59,5%) e Argélia (61,8%).
Entre as regiões, América Latina e Caribe ocupam o terceiro lugar global, com 74,5% de paridade, atrás da Europa (75,7%) e da América do Norte (75,2%). A região latina lidera o mundo nos pilares de saúde e sobrevivência (97,7%) e aponta a trajetória de longo prazo mais rápida entre todas, ainda que, no ritmo atual, precise de 60 anos para fechar o hiato de paridade.





