Blaze: Governo Lula aplica multa de R$ 2,3 mi; entenda – 23/07/2026 – Economia
O Ministério da Fazenda multou o site de apostas Blaze em R$ 2,3 milhões por exibir anúncios em um canal de YouTube voltado para crianças e adolescentes.
O processo administrativo começou com uma denúncia do Instituto Alana, de julho do ano passado, contra 33 vídeos do influenciador João Caetano Bressan de Oliveira, 28, também investigado pelo Ministério Público do Paraná sob suspeita de exibir um reality show cujos participantes são menores de idade.
João Caetano tem 3 milhões de seguidores no Instagram e chegou a ter 17 milhões de inscritos em seu canal de YouTube, derrubado pelo site de vídeos no último mês de agosto.
A empresa Foggo Entertainment, operadora da marca Blaze no Brasil, afirma que não comenta processos judiciais em andamento. A defesa de João Caetano não quis se pronunciar.
A Blaze tem dez dias úteis para apresentar recurso, contados desde o momento da notificação. O processo administrativo foi noticiado pelo jornal O Estado de S.Paulo e confirmado pela Folha. A multa é aplicada somente ao site de apostas, considerado responsável pelas publicações no atual marco regulatório.
As publicidades alvo da sanção desrespeitaram determinações da Portaria n.º 1.231, de 2024, da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda. A norma proíbe anúncios dirigidos a menores de 18 anos, veiculados em programas com audiência predominantemente infantojuvenil ou que contem com a participação de pessoas dessa faixa etária (ou que pareçam tê-la).
Em sua manifestação nos autos do processo administrativo, a Blaze mostrou que cobra, em contrato, o respeito às normas do Ministério da Fazenda e do Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), que exigem transparência e proteção a crianças e adolescentes nos anúncios.
A pasta considerou a bet responsável pelas violações porque o canal de João Caetano “integrava a cadeia de divulgação comercial estruturada pelo agente operador”.
Os vídeos considerados irregulares pela Fazenda foram publicados entre os dias 25 de março de 2025 e 15 de julho do mesmo ano. Nas publicações, o influenciador agradecia o patrocínio, fazia as advertências exigidas pelas regras vigentes e demonstrava como funcionavam os caça-níqueis online disponíveis no site da Blaze.
“Todos contam com a participação de múltiplas crianças e múltiplos adolescentes, os quais integram o grupo de amigos do influenciador e estrelam seus vídeos com ele”, diz o Instituto Alana na denúncia.
Por isso, a entidade argumenta que o público-alvo de João Caetano é infantojuvenil, destacando a linguagem e a forma do conteúdo. “Desse modo, a publicidade neles veiculada é absolutamente ilegal.”
Após notificação da Fazenda, o YouTube excluiu, em 21 de agosto de 2025, o canal de João Caetano. Segundo a empresa, o influenciador “violou as políticas de segurança infantil” da plataforma.
Para a diretora do Instituto Alana Maria Mello, o YouTube deveria ter retirado o canal do influenciador do ar ainda antes da denúncia, considerando as flagrantes irregularidades. “É uma evidente lacuna no dever de cuidado que o ECA Digital reforçou no fim do ano passado.”
João Caetano ganhou projeção na internet divulgando tutoriais do jogo Minecraft. Depois, expandiu sua base de seguidores exibindo uma rotina de luxo, cercado de menores de idade.
Banido do YouTube há um ano, o influenciador tenta reverter a medida da plataforma na Justiça, mas já teve pedidos negados em primeira e segunda instância. Em vídeo no Instagram, João Caetano relata que a derrubada de seu canal lhe causou “problemas psicológicos, noites sem dormir, angústia, medo e sensação de injustiça”.
A Blaze, que patrocinou o canal de João Caetano, também é alvo de uma ação civil pública do MPDFT (Ministério Público do Distrito Federal e Territórios) por práticas abusivas e publicidade enganosa, devido a publicações da influenciadora Virgínia Fonseca.
Na terça-feira (21), a Justiça do Distrito Federal restringiu a veiculação de publicidade na internet por Virgínia e Blaze, sob pena diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento. A equipe da influenciadora disse na quarta (22) que não teve acesso ao conteúdo da decisão.
Nesta quinta-feira (23), o Ministério Público do Distrito Federal reformou o pedido de indenização por dano moral coletivo de R$ 120 milhões, para R$ 380 milhões, citando o balancete do site de apostas revelado pela Folha.





