Ações dos EUA atraem US$ 942 bi de estrangeiros – 26/09/2026 – Economia
Investidores estrangeiros fizeram compras líquidas recordes de US$ 942 bilhões (R$ 4,8 trilhões) em ações americanas e cotas de fundos de investimento nos 12 meses até julho, acelerando a migração dos investimentos internacionais para as ações dos Estados Unidos e afastando-os dos títulos de dívida.
Os fluxos representaram o maior total acumulado em 12 meses nos dados do Tesouro, cuja série histórica remonta a 1985.
As compras líquidas de ações americanas e cotas de fundos de investimento por estrangeiros saltaram para US$ 426 bilhões (R$ 2,2 trilhões) no segundo trimestre, alta de 62% em relação ao mesmo período de 2025, e superaram o recorde trimestral anterior, de US$ 299 bilhões (R$ 1,5 trilhão), registrado em 2022, segundo o Bureau of Economic Analysis, órgão do governo dos EUA responsável por produzir estatísticas econômicas
Dados mensais do Tesouro mostram que as compras líquidas ganharam força ao longo do segundo trimestre, passando de US$ 110 bilhões (R$ 570 bilhões) em abril para US$ 182 bilhões (R$ 944 bilhões) em junho, antes de desacelerarem para US$ 3,7 bilhões (R$ 19,2 bilhões) em julho. Os investidores estrangeiros permaneceram como compradores líquidos pelo sexto mês consecutivo.
Os aportes estrangeiros coincidiram com uma valorização de cerca de 20% do S&P 500, índice de referência de Wall Street, no período de 12 meses até julho. Ações de tecnologia, como as da Sandisk, Western Digital e Intel, estiveram entre as de melhor desempenho.
A alta de 14,9% do S&P 500 no segundo trimestre —após uma liquidação intensa, porém breve, desencadeada pelo início da guerra no Irã— foi o melhor desempenho do índice desde o mesmo período de 2020.
A disparada no segundo trimestre foi excepcionalmente grande até mesmo em comparação com a já elevada demanda estrangeira do último ano. Investidores estrangeiros compraram US$ 263 bilhões (R$ 1,3 trilhão) em ações e fundos americanos no segundo trimestre de 2025 e US$ 274 bilhões (R$ 1,4 trilhão) nos últimos três meses do ano passado.
A demanda estrangeira por títulos de dívida dos EUA seguiu na direção oposta. Investidores internacionais compraram, em termos líquidos, US$ 188 bilhões (R$ 975 bilhões) em títulos de dívida americanos no segundo trimestre, abaixo dos US$ 314 bilhões (R$ 1,6 trilhão) registrados no primeiro.
Isso ocorreu enquanto o volume declarado de títulos do Tesouro dos EUA nas mãos da China caiu para US$ 618 bilhões (R$ 3,2 trilhões), o menor nível desde agosto de 2008, em um momento em que Pequim diversifica seus investimentos em ouro, títulos de agências e outros ativos.
Parte do aumento no segundo trimestre pode refletir compras adiadas em razão de um primeiro trimestre excepcionalmente fraco, afirmou Brad Setser, pesquisador sênior do Council on Foreign Relations. A tendência mais ampla, contudo, continuou sendo de compras recordes de ações americanas.
O forte desempenho dos mercados acionários em países e territórios como Coreia do Sul e Taiwan levou investidores desses locais a buscar ações americanas para reduzir o risco de concentração.
“Essas ações coreanas estavam subindo —Samsung, Hynix—, e os investidores que as haviam comprado no passado estavam atingindo seus limites de concentração e diversificando seus investimentos para fora da Coreia, em direção a ações americanas ou de outros mercados globais. É muito raro ver saídas superiores a US$ 200 (R$ 1 trilhão) bilhões da Coreia para ações globais, sobretudo dos EUA”, acrescentou Setser.
“Houve uma mudança nos padrões dos fluxos que é bastante compatível com esse aporte acima do habitual e com o dólar americano.”
O outro lado da moeda, acrescentou, foi a menor demanda estrangeira por títulos do Tesouro em um momento em que os EUA registram um grande déficit fiscal.
“Parece que o mundo está muito otimista em relação às ações americanas”, afirmou Setser.





