O fim do protagonismo humano no trabalho
Podemos transferir às máquinas uma parcela crescente daquilo que é repetitivo, operacional e previsível. E concentrar nossa energia em criatividade, sensibilidade, empatia, construção de relacionamentos, pensamento crítico, liderança e capacidade de imaginar futuros que ainda não existem.
Isso não significa que a transição será fácil. Empregos serão transformados, algumas profissões desaparecerão e novas competências precisarão ser desenvolvidas. Também existe o risco de empresas utilizarem essa tecnologia apenas para reduzir custos, sem qualquer preocupação com as pessoas.
Mas seria um erro confundir os desafios da transição com o potencial extraordinário da transformação. O maior desafio das empresas não será simplesmente descobrir quantas tarefas podem automatizar, mas como reorganizar o trabalho para aproveitar melhor as capacidades das máquinas e, principalmente, ampliar o valor das capacidades humanas.
O mesmo vale para os profissionais. A pergunta mais importante já não é como competir com a inteligência artificial, mas como deixar de competir justamente naquilo em que ela tende a ser superior.
Talvez estejamos chegando ao fim de uma era em que os seres humanos precisavam ser protagonistas de todas as etapas do trabalho. E isso não significa que estaremos perdendo relevância. Significa que precisaremos encontrar nossa relevância em outro lugar.
O protagonismo humano na execução está diminuindo. Mas nossa responsabilidade sobre o propósito, as escolhas e as consequências do trabalho pode se tornar ainda maior.





