Cosan, de Ometto, ‘troca’ venda de fatia da Rumo pela Compass
De acordo com uma outra fonte, que falou sob sigilo, as imposições impostas por BTG e Cosan teriam desanimado os potenciais compradores. O banco de investimento de André Esteves é sócio da Cosan desde o fim do ano passado, após uma aporte de R$ 10 bilhões feito para reduzir o endividamento do grupo de Ometto.
As conversas para venda da participação da Rumo chegaram a atrair importantes grupos do agronegócio, como a Bunge e a chinesa Cofco. Duas fontes ouvidas pelo UOL afirmaram que as conversas esfriaram. Por conta disso, o grupo decidiu concentrar esforços na Compass. Procurados, Bunge, Cofco e BTG não retornaram os pedidos de entrevista. Cosan não se manifestou sobre o assunto.
A Compass é considerada a “joia da coroa” do conglomerado de Ometto. A empresa é avaliada no mercado em torno de R$ 20 bilhões. Uma pessoa a par do assunto afirmou que um grupo estratégico estrangeiro estaria avaliando fazer um aporte privado, operação conhecida no mercado como “private placement”.
Se a venda da fatia se concretizar, o grupo conseguiria levantar, no valor de hoje, cerca de R$ 4 bilhões, mais um “prêmio” a ser discutido pela empresa. Para efeitos de comparação, a Rumo hoje é avaliada no mercado em R$ 34 bilhões.
O grupo de Rubens Ometto passa por um processo de reestruturação financeira. Uma das investidas da companhia, a Raízen, enfrenta a maior recuperação extrajudicial da história, com dívidas da ordem de R$ 65 bilhões. A Raízen é uma joint venture entre Cosan e Shell, cada uma com 50% de participação. Com o processo de reestruturação, a Cosan terá sua participação diluída e a multinacional dividirá a companhia com os credores do negócio.
O empresário, que é um dos maiores doadores de campanhas eleitorais, colocou vários ativos à venda nos últimos meses. Desde então, o grupo se desfez de cerca de R$ 15 bilhões em participações de empresas, incluindo operações da Raízen e terras agrícolas, além de uma refinaria na Argentina.





